A nação brasileira lamenta a perda de um de seus maiores ícones, **Oscar Schmidt**, o Mão Santa do basquete, que faleceu nesta sexta-feira (17) em **São Paulo**, aos 68 anos. Além de sua lendária carreira nas quadras, **Schmidt** também deixou sua marca na arena política, com uma ambiciosa tentativa de alcançar a Presidência da República, uma concorrida disputa por uma vaga no Senado Federal por **São Paulo** em 1998 e uma breve, mas significativa, passagem como Secretário Municipal de Esportes, Lazer e Recreação da capital paulista. Sua incursão na vida pública, no final dos anos 1990, reflete um período de efervescência democrática e o crescente interesse de personalidades de outras áreas em contribuir para o futuro do país.
O desejo de **Oscar Schmidt** de se tornar presidente da República não era um mero capricho, mas um projeto de longo prazo, gestado durante seus 13 anos de atuação profissional na Europa. Conforme revelado em entrevista concedida ao **SportTV**, o ex-jogador afirmou que retornou ao Brasil com esse objetivo claro em mente. A candidatura ao Senado em 1998, portanto, seria um passo estratégico nesse caminho. “Passei 13 anos na Europa pensando em voltar para o Brasil e ser presidente. Tive a chance. Fui candidato ao Senado. Dali para a Presidência é um pulo”, declarou o ídolo, evidenciando a seriedade de suas aspirações políticas.
A disputa por uma cadeira no Senado Federal por **São Paulo** em 1998 foi acirrada e demonstrou o grande apelo popular de **Oscar Schmidt**. Ele enfrentou o experiente político **Eduardo Suplicy**, do **PT**, em uma eleição que mobilizou milhões de eleitores. Nas urnas, **Suplicy** saiu vitorioso com 6,71 milhões de votos, enquanto **Oscar** obteve expressivos 5,75 milhões de votos, ficando muito próximo de conquistar a vaga. Esse resultado, embora uma derrota eleitoral, consolidou sua imagem como uma figura pública com grande potencial de mobilização, inserindo-o no panorama político de um Brasil que, na virada do milênio, ainda consolidava suas instituições democráticas e via o surgimento de novas lideranças e a ascensão de figuras públicas de diferentes setores na política.
Anos após a disputa, o próprio **Oscar Schmidt** reconheceria que a derrota eleitoral acabou sendo, de certa forma, positiva. “Ainda bem que eu perdi. Quem tem alguma a perder, não se meta lá. Vai respingar em você”, concluiu, em uma reflexão que ecoa as complexidades e os desafios inerentes à vida política, especialmente para aqueles que vêm de outras esferas e não estão acostumados com o escrutínio constante e as batalhas ideológicas.
Experiência na Gestão Pública
Antes de sua ambiciosa campanha ao Senado, **Oscar Schmidt** teve sua primeira experiência na vida pública como secretário municipal de Esportes, Lazer e Recreação de **São Paulo**. Ele assumiu o cargo entre 1997 e 1998, durante a gestão do então prefeito **Celso Pitta**. O convite partiu diretamente do chefe do Executivo municipal, marcando o início de sua atuação na promoção de políticas voltadas ao esporte e ao lazer na capital paulista, logo após encerrar sua brilhante passagem pelas quadras internacionais. Sua permanência na função, contudo, foi breve, pois deixou o posto justamente para se dedicar à candidatura ao Senado, demonstrando a prioridade de seus objetivos políticos mais amplos. A passagem de figuras notáveis do esporte para cargos de gestão pública ou candidaturas eleitorais é um fenômeno recorrente na política brasileira, refletindo a busca por representatividade e a crença de que o carisma e a experiência em outras áreas podem se traduzir em sucesso na administração pública.
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