O presidente **Luiz Inácio Lula da Silva** (PT) proferiu uma crítica contundente ao **Conselho de Segurança das Nações Unidas** neste sábado, 18 de abril, durante seu discurso na **1ª Reunião Mobilização Progressista Global**, realizada em **Barcelona**, na **Espanha**. O líder brasileiro não hesitou em afirmar que os cinco membros permanentes do órgão — **Estados Unidos**, **China**, **Rússia**, **França** e **Reino Unido** — desviaram-se de sua missão original de promover a paz, transformando-se, em suas palavras, em “cinco senhores de guerra”. Esta declaração ressoa em um cenário de crescentes tensões geopolíticas, levantando sérios questionamentos sobre a capacidade do conselho de cumprir seu mandato primordial de garantir a segurança e a estabilidade globais.
A fala de **Lula** ecoou a frustração de muitos líderes mundiais com a aparente paralisia do **Conselho de Segurança** diante de conflitos contemporâneos. “A querida **Nações Unidas**, que foi criada depois da **Segunda Guerra Mundial**, com cinco membros permanentes, para cuidar da paz, para cuidar da cordialidade, da fraternidade, se transformaram em cinco senhores de guerra”, declarou o presidente, conforme reportado pelo portal **G1**. A crítica do chefe de Estado brasileiro sublinha a percepção de que o poder de veto concedido a essas nações frequentemente impede ações eficazes e coordenadas em crises internacionais, como a guerra na **Ucrânia** e as tensões no **Oriente Médio**, comprometendo a credibilidade e a funcionalidade da organização.
Em um apelo direto e incisivo, **Lula** citou nominalmente os chefes de Estado e governo das potências com assento permanente no conselho. “Eu queria dizer ao presidente **Trump** [**Donald Trump**, presidente dos **Estados Unidos**], ao presidente **Xi Jinping** [presidente da **China**], ao presidente **Putin** [**Vladimir Putin**, presidente da **Rússia**], ao presidente **Macron** [**Emmanuel Macron**, presidente da **França**], ao primeiro-ministro da **Inglaterra**, que são os cinco membros do **Conselho de Segurança da ONU**, pelo amor de Deus, cumpram com as suas obrigações de garantir a paz no mundo, convoquem uma reunião e parem com essa loucura de guerra porque o mundo não comporta mais”, enfatizou o presidente. Este chamado à responsabilidade destaca a urgência de uma ação conjunta e a percepção de que as grandes potências estão falhando em seu dever de liderar os esforços pela paz global.
O Panorama Geopolítico e a Crise da Multilateralidade
A declaração de **Lula** em **Barcelona** insere-se em um contexto de profunda crise da multilateralidade e de questionamento da ordem global estabelecida após a **Segunda Guerra Mundial**. A arquitetura da governança internacional, com a **ONU** e seu **Conselho de Segurança** no centro, é vista por muitos como anacrônica e pouco representativa dos desafios complexos e interconectados do século XXI. Questões como as mudanças climáticas, pandemias globais, crises migratórias e a proliferação de conflitos regionais exigem uma capacidade de resposta que a estrutura atual do conselho, com seu poder de veto concentrado, tem demonstrado dificuldade em oferecer. A ineficácia do órgão em mediar e resolver disputas tem contribuído para uma fragmentação da ordem internacional, com o ressurgimento de blocos de poder e o enfraquecimento das instituições globais.
A postura do **Brasil**, historicamente defensor de um multilateralismo mais justo e representativo, é consistente com a busca por uma reforma do **Conselho de Segurança**, que incluiria a ampliação do número de membros permanentes e a revisão do poder de veto. A crítica de **Lula** serve como um alerta contundente para a comunidade internacional sobre a urgência de repensar as estruturas de poder que regem as relações globais. A inação ou a ação unilateral das grandes potências, segundo a visão apresentada, apenas aprofunda as divisões e aumenta o risco de escalada de conflitos, comprometendo a paz e a segurança que a própria **ONU** foi criada para salvaguardar, e que hoje se mostram mais frágeis do que nunca.
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