Em uma reviravolta que redesenha o tabuleiro político alagoano, Kátia Born, figura proeminente da política estadual, retornou oficialmente ao comando da Secretaria de Estado de Assistência e Desenvolvimento Social (Seades). A nomeação foi publicada no Diário Oficial do Estado desta segunda-feira, 27 de abril, marcando o fim de sua intenção de concorrer a uma vaga de deputada estadual nas eleições de 2026. A decisão de Born é um reflexo direto das recentes e impactantes mudanças no cenário político local, especialmente a retomada da parceria entre o ex-prefeito de Maceió, JHC (PSDB), e o vice-governador Ronaldo Lessa (PDT), aliança que, segundo a própria secretária, inviabilizou sua candidatura e gerou críticas contundentes sobre a falta de confiança e identificação ideológica.
A secretária havia se desincompatibilizado do cargo no dia 1º de abril, conforme exigência legal para quem almeja disputar eleições, deixando a pasta sob a gestão de Genilda Leão da Silva. A manobra era vista como um passo estratégico para viabilizar sua candidatura a deputada estadual. Contudo, a dinâmica política em Alagoas se alterou drasticamente, forçando Born a reconsiderar seus planos e aceitar o convite do governador Paulo Dantas para reassumir a Seades.
A Nova Aliança que Chacoalha o Cenário
O epicentro dessa mudança ocorreu na madrugada da quinta-feira, 23 de abril, quando JHC e Ronaldo Lessa surpreenderam o meio político ao anunciar a retomada de sua parceria. O comunicado foi feito de forma pública e estratégica nas redes sociais, com a divulgação de fotos conjuntas e a mensagem uníssona: “Estaremos juntos por toda Alagoas”. Essa união, que une forças de diferentes espectros políticos, tem o potencial de reconfigurar alianças e estratégias para as próximas disputas, especialmente as eleições de 2026, criando um novo polo de poder e influência no estado.
Em entrevista concedida ao portal g1, Kátia Born expressou sua frustração com a reviravolta. Ela revelou que já estava com sua estrutura organizada para a campanha. “Eu disse ao Ronaldo [Lessa] que sairia da secretaria, me organizei para ser candidata a deputada estadual, mas no momento que ele fez opção dessa coligação com o JHC automaticamente inviabilizou a minha candidatura. Saí do partido, não vou me filiar a partido nenhum”, declarou Born, evidenciando o impacto direto da decisão de Lessa em seus projetos políticos pessoais.
Críticas e Divergências Ideológicas
A secretária não poupou críticas à aliança recém-formada, destacando uma profunda divergência ideológica e de princípios. “JHC é um cara de centro-direita, não tem nada a ver com o PDT, com a política que a gente defende. Eu não me identifico, não tenho confiança nas coisas que ele faz”, afirmou Kátia Born. Essa declaração sublinha a tensão entre as diferentes correntes políticas que agora se veem em um novo arranjo, e a dificuldade de conciliar visões de mundo distintas em prol de um projeto político comum.
Apesar de sua ligação pessoal e política com Ronaldo Lessa, Kátia Born não escondeu seu desacordo com a decisão do vice-governador. Ela evitou aprofundar-se em questões de mágoa, mas deixou clara sua posição. “Eu não quero falar de mágoa, porque é uma pessoa de quem eu gosto muito. Mas acho que ele está equivocado. Espero que o arrependimento não chegue tarde, embora ache difícil dar certo do lado de lá”, pontuou, indicando uma preocupação com as consequências futuras dessa aliança para o grupo político ao qual Lessa pertencia.
Sobre seu retorno à Seades, Kátia Born afirmou ter aceitado o convite do governador Paulo Dantas com o objetivo de dar continuidade aos trabalhos em andamento. “O governador fez o convite para voltar à secretaria e eu aceitei porque tem muitos trabalhos para fazer. Agora vou tocar minha vida para frente”, disse, sinalizando seu compromisso com a gestão pública e a continuidade de projetos sociais no estado.
Panorama Político: Reconfiguração para 2026
A aliança entre JHC e Ronaldo Lessa, e a consequente desistência de Kátia Born de sua candidatura, não são eventos isolados, mas sim peças-chave em um complexo xadrez político que se desenha para as eleições de 2026 em Alagoas. A união de um ex-prefeito com forte base eleitoral na capital e um vice-governador com histórico de influência em diversas regiões do estado cria um novo bloco de poder que inevitavelmente forçará outros grupos políticos a reavaliarem suas estratégias e possíveis alianças. Este movimento pode gerar uma reconfiguração de candidaturas, realinhamento de partidos e uma intensificação das articulações nos bastidores, prometendo uma disputa eleitoral acirrada e com desdobramentos imprevisíveis para o futuro político de Alagoas.
Fonte: ver noticia original
