O cenário político de São Paulo foi sacudido nesta semana com o adiamento do evento que formalizaria o apoio público do **Progressistas** (**PP**) à reeleição do governador **Tarcísio de Freitas** (**Republicanos**). Previsto inicialmente para a próxima segunda-feira, 11 de maio, na capital paulista, o anúncio da postergação foi feito nesta sexta-feira, 8 de maio, em meio a um turbilhão de acontecimentos envolvendo o presidente nacional da sigla, **Ciro Nogueira**. O senador foi alvo de buscas da Polícia Federal na quinta-feira, 7 de maio, como parte da nova fase da operação **Compliance Zero**, que investiga graves suspeitas de fraudes financeiras e recebimento de vantagens indevidas ligadas ao **Banco Master**.
De acordo com integrantes do **Progressistas**, a decisão de adiar o ato foi tomada em conjunto, após uma conversa entre o governador **Tarcísio de Freitas** e o senador **Ciro Nogueira** na quinta-feira. Contudo, a assessoria do governador nega veementemente que **Tarcísio** tenha tido qualquer contato com o senador. Interlocutores próximos ao governador sugerem que ele pretende utilizar a posse do ministro **Kassio Nunes Marques** no **Tribunal Superior Eleitoral** (**TSE**), agendada para terça-feira, 12 de maio – cerimônia da qual o governador deve participar –, como justificativa para o cancelamento do encontro. O evento de apoio estava programado para ocorrer no espaço **Vila JK**, às 19h, na zona oeste da capital paulista.
A Operação Compliance Zero e as Acusações Contra Ciro Nogueira
O pano de fundo para o adiamento é a intensificação das investigações da Polícia Federal. Mais cedo na quinta-feira, **Ciro Nogueira** foi o foco de buscas da PF, que o aponta como o “destinatário central” de vantagens indevidas atribuídas ao empresário **Daniel Vorcaro**, dono do **Banco Master**. A investigação da **Compliance Zero** detalha que o senador supostamente recebia uma “mesada” de pelo menos R$300 mil de **Vorcaro**. A Polícia Federal dá como exemplo da relação de favorecimento uma emenda apresentada por **Nogueira** à Proposta de Emenda à Constituição (**PEC**) da Autonomia Financeira do **Banco Central** (**BC**).
No âmbito financeiro, a apuração da PF indica o recebimento frequente de uma série de benefícios, que incluem pagamentos mensais, a compra de participação em uma empresa com um desconto considerado elevado, o pagamento de despesas pessoais e o uso de bens de alto valor. Além disso, há fortes indícios de recebimento de dinheiro em espécie, o que levanta sérias questões sobre a transparência e legalidade das transações.
Impacto Político e Posicionamento do Progressistas
A operação da Polícia Federal e as acusações contra o presidente nacional do **Progressistas** lançam uma sombra sobre as articulações políticas em um ano eleitoral crucial. O adiamento do evento em São Paulo, um dos maiores colégios eleitorais do país, reflete a cautela e a necessidade de reavaliação estratégica diante de um escândalo de tal magnitude. Apesar do revés e da controvérsia em torno do envolvimento de seu líder, o **Progressistas** reafirma seu compromisso. Segundo fontes do partido, mesmo com o adiamento do ato formal, a sigla “segue firme” no apoio à chapa de **Tarcísio de Freitas**.
Em nota, a defesa do senador **Ciro Nogueira** se manifestou, afirmando que “repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar”, buscando desqualificar as acusações e defender a integridade de sua atuação política. O episódio, no entanto, sublinha a crescente pressão sobre figuras políticas em investigações de corrupção e o impacto direto que tais operações exercem sobre as alianças e o calendário eleitoral.
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