O Brasil, em um movimento que solidificou a celebração dos laços familiares e valores sociais, institucionalizou o Dia das Mães no segundo domingo de maio através do decreto de número 21.366. Assinado pelo então presidente Getúlio Vargas (1882-1954) e publicado em 1932, este ato normativo declarava a data como um reconhecimento aos “sentimentos e virtudes que o amor materno concorre para despertar e desenvolver no coração humano, contribuindo para seu aperfeiçoamento no sentido da bondade e da solidariedade humana”, conforme detalhado pelo Portal Acta.
A oficialização desta data não foi um mero acaso, mas parte de um panorama político e social mais amplo que caracterizou o início da Era Vargas. Naquele período, o governo provisório de Getúlio Vargas, que assumiu o poder após a Revolução de 1930, estava empenhado em reestruturar o Estado brasileiro e consolidar uma nova identidade nacional. A promoção de datas cívicas e sociais, como o Dia das Mães, servia como ferramenta para fortalecer os valores morais, a coesão social e a influência do Estado na vida dos cidadãos, alinhando-se a uma política de construção de um Brasil moderno e unificado sob a égide do governo central.
O decreto 21.366, ao consagrar o segundo domingo de maio, não apenas formalizou uma homenagem, mas também inseriu a figura materna no panteão dos símbolos nacionais promovidos pelo Estado. Este movimento reflete a preocupação da época em valorizar a família como pilar da sociedade e em utilizar datas comemorativas para incutir princípios de bondade e solidariedade, elementos considerados essenciais para o desenvolvimento da nação. A medida teve um impacto duradouro, estabelecendo uma tradição que perdura até os dias atuais e que é universalmente celebrada em todo o território brasileiro.
Embora a notícia original do Portal Acta mencione que a data varia no mundo, o foco do decreto de 1932 estava na unificação e na promoção de uma celebração nacional específica para o Brasil, reforçando a soberania cultural e social do país em um momento de profundas transformações políticas e econômicas. A iniciativa de Getúlio Vargas, portanto, transcendeu a simples homenagem, tornando-se um marco na institucionalização de valores cívicos e familiares pelo Estado brasileiro.
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