O senador Renan Calheiros (MDB-AL) voltou a cobrar, nesta semana, explicações do prefeito de Maceió, JHC (PL), sobre sua relação com o escândalo do Banco Master, instituição financeira alvo de investigações por supostas irregularidades que envolvem desde operações de crédito suspeitas até possíveis interferências políticas. Em tom duro, Renan afirmou que JHC “pare de se esconder” e preste esclarecimentos à população alagoana sobre o caso que já repercute em âmbito nacional.
A declaração foi feita durante entrevista a veículos locais, na qual o senador destacou que o silêncio do prefeito diante das denúncias levanta suspeitas sobre a transparência da gestão municipal e a relação com o setor financeiro. “O povo de Maceió merece saber qual é a verdadeira ligação de JHC com o Banco Master. Não adianta se esconder atrás de assessores ou de silêncio estratégico”, disparou Renan, que também é presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.
Escândalo do Banco Master ganha contornos nacionais
O Caso Master, como ficou conhecido, envolve denúncias de que o Banco Master teria concedido empréstimos vultosos a políticos e empresas em troca de favores, além de operações que podem ter violado normas do Banco Central. A crise se intensificou após a revelação de que o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e o diretor de Fiscalização, Paulo Souza, teriam sido pressionados a aliviar a supervisão sobre a instituição. Em audiência pública no Senado, o indicado à presidência do BC, Gabriel Galípolo, foi questionado sobre o tema e afirmou que o órgão atua com rigor, mas reconheceu a necessidade de aprimorar mecanismos de controle.
O escândalo expõe fragilidades na regulação do sistema financeiro brasileiro e reacende o debate sobre a influência política sobre o Banco Central. Em Alagoas, a crise atinge diretamente a gestão de JHC, que já foi alvo de outras denúncias de irregularidades administrativas, como a obra do Matadouro de Viçosa, orçada em R$ 10 milhões e abandonada há oito anos, gerando prejuízos milionários aos cofres públicos.
Panorama político e pressão sobre JHC
O embate entre Renan Calheiros e JHC ocorre em um contexto de acirramento da disputa política em Alagoas, com as eleições de 2026 no horizonte. Renan, que é um dos principais nomes do MDB no estado, busca capitalizar a crise para enfraquecer o prefeito, que é aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e figura como possível candidato ao governo estadual. Já JHC tenta minimizar o impacto do escândalo, mas até o momento não se pronunciou oficialmente sobre as acusações.
A pressão sobre JHC também vem de outros setores. Pré-candidatos ao governo de Alagoas foram convocados para um debate sobre a tragédia da Braskem em Maceió, que já causou danos ambientais e sociais incalculáveis. O silêncio do prefeito sobre o Caso Master contrasta com a postura de outros políticos locais, que já se manifestaram a favor de uma investigação aprofundada.
Enquanto isso, o Banco Central enfrenta uma crise de credibilidade, com a audiência de Galípolo no Senado sendo vista como um teste para a independência da instituição. O escândalo do Banco Master, que já levou à quebra de sigilos e à abertura de inquéritos, promete render novos capítulos nos próximos meses, com possíveis desdobramentos judiciais e políticos.
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