O deputado federal Isnaldo Bulhões (MDB-AL), um dos principais nomes do partido em Alagoas e aliado da família Calheiros, foi citado como participante de um encontro milionário em Nova York bancado pelo empresário Vorcaro, conforme revelou o jornal O Globo nesta segunda-feira (26). A festa, apelidada de “farra do uísque”, é alvo de investigação da Polícia Federal por suspeitas de desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro. O caso expõe a conexão entre políticos e empresários em meio a um esquema que pode envolver contratos superfaturados e propinas.
De acordo com a reportagem, o evento ocorreu em um hotel de luxo em Manhattan, com despesas estimadas em mais de R$ 500 mil, incluindo a compra de garrafas de uísque escocês raro, avaliadas em até R$ 50 mil cada. A PF apura se os gastos foram pagos com recursos desviados de obras públicas no Nordeste, especialmente em Alagoas, onde Vorcaro possui contratos com prefeituras e órgãos estaduais. Isnaldo Bulhões não se manifestou oficialmente até a publicação desta matéria, mas aliados afirmam que ele participou de um “encontro de negócios” e que não houve irregularidades.
Panorama político e desdobramentos
A citação de Isnaldo Bulhões na investigação ocorre em um momento de forte tensão política em Alagoas, onde o MDB, liderado pelo senador Renan Calheiros, enfrenta pressão de setores da oposição e da sociedade civil. O partido domina a política local há décadas, mas escândalos como esse podem abalar sua hegemonia. A “farra do uísque” também envolve outros políticos e empresários, segundo fontes da PF, que já apreenderam documentos e celulares em buscas autorizadas pela Justiça Federal.
O caso ganha repercussão nacional em meio a debates sobre o financiamento de campanhas e a relação entre agentes públicos e privados. Especialistas ouvidos pela reportagem destacam que a investigação pode expor um esquema de corrupção que mistura contratos de infraestrutura, doações eleitorais e benefícios pessoais. A PF deve ouvir nos próximos dias todos os citados, incluindo Vorcaro, que nega irregularidades e afirma que o encontro foi “estritamente empresarial”.
Enquanto isso, a oposição em Alagoas já pede a abertura de uma CPI na Assembleia Legislativa para investigar os contratos do empresário com o governo estadual. O governador Paulo Dantas (MDB), aliado dos Calheiros, afirmou que “não há nada que comprometa a administração” e que aguarda as investigações. A sociedade civil, porém, cobra transparência e punição para os envolvidos, caso comprovadas as ilegalidades.
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