Pacientes do Hospital Regional de Santana do Ipanema denunciaram, por meio de redes sociais, a grave falta de médicos na unidade, classificando a situação como ‘desumana’. O caso ganhou repercussão nacional após relatos de demora no atendimento e ausência de profissionais em plantões, enquanto o município de Santana do Ipanema foi o que mais recebeu recursos federais para a Saúde em 2025, segundo dados oficiais.
As denúncias, publicadas em perfis de pacientes e familiares, apontam que o hospital, referência para a região do Sertão alagoano, tem enfrentado escalas médicas incompletas, resultando em filas de espera que chegam a ultrapassar 12 horas. Uma das pacientes, que preferiu não se identificar, relatou que aguardou por mais de 8 horas por um atendimento de urgência, enquanto outro familiar afirmou que ‘a situação é de abandono, com profissionais sobrecarregados e pacientes sem assistência básica’.
Recursos e contradições
O contraste entre a denúncia e os repasses financeiros chama a atenção. De acordo com o Ministério da Saúde, Santana do Ipanema recebeu, em 2025, o maior montante de recursos da pasta entre todos os municípios alagoanos, com valores superiores a R$ 12 milhões destinados a custeio e investimentos na saúde local. No entanto, a gestão do hospital, sob responsabilidade da Prefeitura Municipal e do Governo do Estado, não conseguiu garantir a presença de médicos em todos os turnos, o que gerou críticas de entidades de classe e da população.
O Conselho Regional de Medicina de Alagoas (CRM-AL) informou que já abriu uma investigação para apurar as condições de trabalho e a escala de profissionais na unidade. Em nota, o órgão destacou que ‘a falta de médicos compromete a segurança dos pacientes e fere os princípios do Sistema Único de Saúde (SUS)’. Já a Secretaria Estadual de Saúde (Sesau) afirmou que está em contato com a gestão municipal para ‘regularizar a situação o mais rápido possível’, mas não apresentou prazos concretos.
Panorama político e impacto regional
A crise no Hospital Regional de Santana do Ipanema reflete um problema estrutural na saúde pública do interior de Alagoas, onde a falta de profissionais, especialmente em regiões afastadas, é recorrente. Especialistas apontam que a má distribuição de médicos, aliada a salários defasados e condições precárias de trabalho, agrava o cenário. O caso também expõe a fragilidade na fiscalização dos recursos públicos, já que o município, mesmo sendo o maior beneficiado financeiramente, não conseguiu manter o atendimento adequado.
Lideranças políticas locais, como o deputado estadual Joãozinho Pereira (PT) e a vereadora Maria do Socorro (PSDB), cobraram explicações da prefeitura e do governo estadual. Em discurso na Assembleia Legislativa de Alagoas, Pereira classificou a situação como ‘inaceitável’ e pediu a abertura de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar a aplicação dos recursos. Já a prefeitura, por meio de nota, alegou que ‘está envidando esforços para contratar novos profissionais’, mas não detalhou medidas emergenciais.
Enquanto isso, pacientes continuam a relatar dificuldades. Uma campanha nas redes sociais, com a hashtag #SaúdeNãoÉPrivilégio, ganhou força, reunindo relatos de moradores de cidades vizinhas, como Poço das Trincheiras e Olho d’Água das Flores, que também dependem do hospital. A situação levanta questionamentos sobre a eficácia dos repasses federais e a capacidade de gestão local, em um momento em que o SUS enfrenta desafios crescentes em todo o país.
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