O ministro dos Transportes, Renan Filho, defendeu publicamente o fim da escala de trabalho 6×1, afirmando que o trabalhador tem direito a viver com a família. A declaração ocorre em meio ao avanço de uma proposta de emenda constitucional no Senado que busca reduzir a jornada máxima para 36 horas semanais, sem redução salarial, e que já conta com amplo apoio popular e de parlamentares de diferentes partidos.
A fala de Renan Filho foi registrada durante evento em Brasília, onde o ministro destacou que a medida não é apenas uma questão trabalhista, mas um direito fundamental à convivência familiar. “O trabalhador tem direito de viver com a família, de ter tempo para o lazer e para o descanso. A escala 6×1, com um único dia de folga por semana, impede isso”, afirmou. A declaração ecoa o debate que ganhou força nas redes sociais e no Congresso, onde a PEC já soma mais de 150 assinaturas de senadores e deputados.
Panorama político e impacto social
A proposta de emenda constitucional, apresentada pelo senador Paulo Paim (PT-RS), prevê a redução gradual da jornada de trabalho de 44 para 36 horas semanais, com o fim da escala 6×1. A medida é vista como uma resposta às demandas de movimentos sociais e sindicais, que apontam que o modelo atual prejudica a saúde mental e a qualidade de vida dos trabalhadores. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que cerca de 30% dos trabalhadores formais no Brasil cumprem jornadas superiores a 44 horas semanais, muitos deles em escalas que incluem trabalho aos sábados e domingos.
O apoio de Renan Filho à proposta sinaliza uma adesão do governo federal ao debate, embora o Palácio do Planalto ainda não tenha se posicionado oficialmente. A declaração do ministro ocorre em um momento de tensão política, com o governo Lula acelerando a tramitação de pautas trabalhistas para fortalecer a base aliada no Congresso. A oposição, por sua vez, critica a medida, argumentando que ela pode aumentar os custos das empresas e gerar desemprego. O senador Carlos Viana (Podemos-MG) afirmou que a proposta precisa ser debatida com cautela, sem “radicalismos”.
Enquanto isso, a sociedade civil se mobiliza. A campanha “Vida Além do Trabalho”, liderada por sindicatos e movimentos como a Central Única dos Trabalhadores (CUT), já realizou atos em várias capitais. Pesquisa Datafolha divulgada em março de 2025 mostra que 72% dos brasileiros são favoráveis à redução da jornada para 36 horas, com manutenção dos salários. O tema também ganhou repercussão internacional, com organizações como a Organização Internacional do Trabalho (OIT) recomendando a adoção de jornadas mais curtas para melhorar a produtividade e o bem-estar.
A tramitação da PEC no Senado deve se intensificar nas próximas semanas, com audiências públicas e debates em comissões. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), já sinalizou que a proposta terá prioridade na pauta, mas alertou para a necessidade de um amplo acordo político. Enquanto isso, o governo Lula busca articular o apoio de partidos de centro e de centro-direita, como o MDB e o União Brasil, para garantir a aprovação da medida. O fim da escala 6×1, se aprovado, representará a maior reforma trabalhista desde a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) de 1943.
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