Um homem foi preso na tarde desta segunda-feira (26) no bairro Santa Amélia, em Maceió, suspeito de ameaçar a ex-companheira e tentar atropelar a ex-sogra. A prisão ocorreu após a Polícia Militar ser acionada para atender a uma denúncia de descumprimento de medida protetiva, expedida pela Justiça de Alagoas. O caso, registrado pela Delegacia de Polícia Civil, expõe mais um capítulo da violência doméstica no estado e levanta questionamentos sobre a efetividade das medidas de proteção às mulheres.
De acordo com informações da Polícia Militar, o suspeito, cujo nome não foi divulgado, já possuía histórico de agressões contra a ex-companheira e vinha descumprindo a ordem judicial que o obrigava a manter distância. No dia do crime, ele teria ido até a residência da vítima, no bairro Santa Amélia, onde proferiu ameaças de morte e, em seguida, tentou atropelar a ex-sogra, que estava no local. A ação só não teve consequências mais graves porque a mulher conseguiu se desviar a tempo.
Panorama da violência doméstica em Alagoas
O caso ocorre em um contexto de aumento de denúncias de violência doméstica em Alagoas. Dados da Secretaria de Segurança Pública indicam que, em 2024, foram registrados mais de 12 mil casos de ameaças e lesões corporais contra mulheres no estado, um crescimento de 8% em relação ao ano anterior. Especialistas apontam que a subnotificação ainda é um problema grave, e que medidas protetivas, embora importantes, muitas vezes não são suficientes para coibir a ação de agressores reincidentes.
O descumprimento de medidas protetivas é uma das principais falhas apontadas por organizações de defesa dos direitos das mulheres. Em Alagoas, a Patrulha Maria da Penha, da Polícia Militar, realiza rondas periódicas para fiscalizar o cumprimento das ordens judiciais, mas a falta de efetivo e a alta demanda dificultam o monitoramento constante. A prisão do suspeito em Santa Amélia, no entanto, demonstra que a atuação policial pode ser eficaz quando acionada rapidamente.
Impacto social e necessidade de políticas públicas
A tentativa de atropelamento e as ameaças registradas neste caso são exemplos de como a violência doméstica pode escalar rapidamente, colocando em risco não apenas a vítima direta, mas também seus familiares. A ex-sogra, que quase foi atropelada, representa um alerta sobre a necessidade de ampliar a rede de proteção para incluir parentes próximos, que muitas vezes são alvos de agressões indiretas.
O governo de Alagoas, por meio da Secretaria da Mulher e dos Direitos Humanos, tem implementado programas como o “Alagoas sem Violência”, que prevê a criação de centros de acolhimento e a ampliação das delegacias especializadas. No entanto, a efetividade dessas ações depende de investimentos contínuos e de uma articulação entre Judiciário, Polícia e assistência social. O caso de Maceió reforça a urgência de políticas que priorizem a prevenção e a punição rigorosa de agressores reincidentes.
A prisão do suspeito foi realizada pela equipe do 4º Batalhão da Polícia Militar, que o encaminhou à Central de Flagrantes de Maceió. Ele deve responder por descumprimento de medida protetiva, ameaça e tentativa de homicídio, e permanece à disposição da Justiça. A ex-companheira e a ex-sogra foram orientadas a buscar apoio da rede de proteção, incluindo a Patrulha Maria da Penha e o Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CRAM).
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