Quem compra um imóvel na planta normalmente sabe exatamente quanto custa o apartamento. O que quase ninguém sabe é quanto realmente vai pagar por ele ao longo do tempo. Isso porque boa parte dos compradores faz as contas olhando apenas para a fase mais confortável da operação. E, de fato, durante a construção, as parcelas normalmente parecem administráveis. O alerta foi feito pelo especialista Mastrorosa, em artigo publicado no blog De Grão em Grão, da Folha de S.Paulo, no dia 31 de maio de 2026.
Segundo Mastrorosa, o problema central está na diferença entre o preço de compra anunciado e o custo efetivo total, que inclui reajustes contratuais, taxas de corretagem, ITBI, registro, além de eventuais multas por atraso na obra ou variações no índice de correção (como o INCC). Muitos compradores subestimam esses encargos e acabam comprometendo uma fatia maior do orçamento do que o previsto.
O alerta ganha relevância em um cenário de juros elevados e inflação persistente no Brasil, que pressionam tanto o custo dos materiais de construção quanto o poder de compra das famílias. A Folha de S.Paulo destacou que, mesmo com a desaceleração do mercado imobiliário em 2025 e 2026, os lançamentos continuam aquecidos em algumas regiões metropolitanas, como São Paulo e Rio de Janeiro, o que torna o alerta ainda mais oportuno.
Impacto no bolso do consumidor
O especialista recomenda que o comprador simule todos os custos antes de assinar o contrato, incluindo as parcelas pós-entrega das chaves, que costumam ser mais pesadas. Ele também sugere atenção às cláusulas de reajuste e à possibilidade de distratos, que podem gerar perdas financeiras significativas. A falta de transparência em alguns contratos é apontada como um dos principais riscos para quem adquire imóveis na planta.
No panorama político e econômico, o alerta de Mastrorosa se insere em um debate mais amplo sobre a proteção ao consumidor no setor imobiliário. Nos últimos anos, o governo federal e o Congresso Nacional discutiem medidas para regulamentar contratos de incorporação, mas avanços ainda são tímidos. Enquanto isso, associações de defesa do consumidor, como o Procon e o IDEC, têm registrado aumento de reclamações relacionadas a reajustes abusivos e falta de informação prévia.
Para quem já comprou ou está pensando em comprar um imóvel na planta, a recomendação é clara: não se deixe levar apenas pelo valor das primeiras parcelas. O custo real pode ser muito maior, e o planejamento financeiro deve considerar todas as variáveis envolvidas. A fonte original, Folha de S.Paulo, reforça que o alerta de Mastrorosa serve como um guia para evitar armadilhas comuns nesse tipo de negociação.
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