Uma análise do Grupo All Cross, especializado em dados do setor de saúde suplementar, projeta que o teto de reajuste de planos de saúde aprovado pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) beneficiará apenas 14,5% dos usuários no país. O índice máximo de 5,11%, anunciado como o menor aumento desde 2000, deixa de fora a maioria dos contratos, que seguem regras diferenciadas e sem limite definido.
De acordo com o levantamento, o teto se aplica exclusivamente a planos individuais e familiares, que representam uma fatia reduzida do mercado. A maioria dos brasileiros está vinculada a planos coletivos — empresariais ou por adesão —, cujos reajustes são negociados diretamente entre operadoras e contratantes, sem a mesma regulação. A ANS confirmou que o índice de 5,11% é o menor desde o início da série histórica, em 2000, mas ressaltou que ele não cobre a totalidade dos beneficiários.
Panorama do Setor de Saúde Suplementar
O mercado de planos de saúde no Brasil conta com cerca de 50 milhões de usuários, dos quais aproximadamente 85% estão em planos coletivos. A análise do Grupo All Cross destaca que, mesmo com o teto baixo, os reajustes médios dos planos coletivos têm superado a inflação oficial, medida pelo IPCA, que fechou 2025 em 4,8%. Isso pressiona o orçamento das famílias e empresas, em um cenário de custos crescentes com hospitais, medicamentos e tecnologia médica.
Especialistas apontam que a medida da ANS visa conter abusos, mas seu alcance limitado gera debates sobre a necessidade de ampliar a regulação. Enquanto isso, operadoras como Bradesco Saúde, SulAmérica e Unimed seguem aplicando reajustes baseados em sinistralidade e faixa etária, o que pode elevar os custos para grupos mais vulneráveis, como idosos e doentes crônicos.
O Ministério da Saúde e a ANS avaliam medidas complementares, como a criação de um índice de referência para planos coletivos, mas enfrentam resistência do setor. A Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde) argumenta que a liberdade de negociação é essencial para a sustentabilidade do sistema, enquanto associações de consumidores pedem maior transparência e limites mais rígidos.
Para quem busca entender melhor o impacto dos reajustes, o portal Republica do Povo já publicou análise sobre o tema: Reajuste de Planos de Saúde Coletivos Atinge Menor Patamar em Cinco Anos, Mas Ainda Supera Inflação Oficial. A reportagem original é da Folha de S.Paulo, publicada em 1º de junho de 2026.
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