O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta segunda-feira (1º de junho de 2026) que terá reuniões ao longo da semana com autoridades dos Estados Unidos para tratar da decisão do governo norte-americano de designar as facções criminosas PCC (Primeiro Comando da Capital) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais. A medida, anunciada após visita do senador Flávio Bolsonaro a Washington, representa um marco na política externa brasileira e reacende o debate sobre a atuação do crime organizado transnacional.
O anúncio de Durigan ocorre em meio a um contexto de crescente pressão internacional para que o Brasil adote medidas mais duras contra o crime organizado. A classificação das duas facções como terroristas pelos EUA pode implicar sanções financeiras, restrições de viagens e congelamento de ativos de suspeitos, além de facilitar a cooperação em inteligência e operações conjuntas. Para o governo brasileiro, no entanto, a decisão levanta questões sobre soberania e a adequação da legislação nacional, que não prevê o enquadramento de organizações criminosas como terroristas.
Reuniões bilaterais e impactos diplomáticos
As reuniões previstas para esta semana envolvem representantes do Departamento do Tesouro e do Departamento de Estado dos EUA, além de integrantes do Ministério da Fazenda e do Ministério da Justiça e Segurança Pública do Brasil. O objetivo, segundo Durigan, é alinhar entendimentos sobre os critérios técnicos e jurídicos da classificação, bem como discutir possíveis desdobramentos para a cooperação bilateral no combate ao narcotráfico, lavagem de dinheiro e tráfico de armas. A decisão norte-americana foi tomada com base na atuação transnacional do PCC e do Comando Vermelho, que já são investigados por atividades em países como Bolívia, Paraguai, Colômbia e Estados Unidos.
Especialistas em segurança pública apontam que a classificação pode ter efeitos práticos limitados se não houver uma contrapartida legislativa no Brasil. Atualmente, o país não possui uma lei específica que defina organizações terroristas, o que dificulta a aplicação de medidas similares em território nacional. Além disso, a medida pode gerar tensões com setores do governo que defendem uma abordagem mais focada em políticas sociais e de prevenção, em vez de uma resposta exclusivamente repressiva.
Panorama político e reações
A decisão dos EUA ocorre em um momento de polarização política no Brasil, com as eleições presidenciais de 2026 se aproximando. Enquanto aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro celebram a medida como um reconhecimento da gravidade do crime organizado, críticos apontam que a classificação pode ser usada para justificar um endurecimento do sistema penal e a criminalização de movimentos sociais. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por sua vez, busca equilibrar a necessidade de cooperação internacional com a defesa dos direitos humanos e da soberania nacional.
O ministro Durigan evitou comentar diretamente as implicações políticas da decisão, mas ressaltou que o diálogo com os EUA é fundamental para garantir que as medidas adotadas estejam alinhadas com os interesses do Brasil. As reuniões desta semana devem resultar em um comunicado conjunto, que poderá estabelecer as bases para uma nova fase de cooperação bilateral no combate ao crime organizado transnacional.
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