O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) de Alagoas deflagrou uma operação que expõe um suposto esquema milionário de cirurgias cardíacas pagas por decisões judiciais, com indícios de superfaturamento e falta de transparência. A investigação, que já dura meses, mira um grupo de médicos, advogados e servidores públicos que, segundo as apurações, articulavam a realização de procedimentos de alto custo em unidades privadas, com valores pagos pelo erário estadual por meio de liminares. O caso levanta questionamentos sobre a lisura do sistema de saúde suplementar e a atuação do Judiciário alagoano.
De acordo com o GAECO, o esquema funcionava com a obtenção de decisões judiciais que obrigavam o Estado a custear cirurgias em hospitais particulares, muitas vezes com valores muito acima dos praticados pelo mercado. Entre os procedimentos identificados estão cateterismos e angioplastias, que, em alguns casos, eram realizados sem a devida necessidade clínica. A operação, batizada de “Mãos Limpas”, cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados, incluindo clínicas e residências.
Panorama político e social
O escândalo ocorre em meio a um cenário de crise na saúde pública alagoana, onde filas de espera para cirurgias eletivas e falta de insumos são recorrentes. A revelação do suposto desvio de recursos destinados a procedimentos de alta complexidade acirra os ânimos entre os poderes Executivo e Judiciário, que já vinham sendo criticados por entidades de controle social. O Conselho Regional de Medicina (CREM-AL) informou que abrirá sindicância para apurar a conduta dos profissionais envolvidos, enquanto o Ministério Público Estadual (MPE-AL) prometeu rigor na investigação.
Especialistas ouvidos pela reportagem apontam que o caso pode ser um dos maiores desvios já registrados na saúde suplementar do estado, com potencial de ultrapassar R$ 50 milhões. A Secretaria de Estado da Saúde (SESAU-AL) afirmou, em nota, que colabora com as investigações e que já adotou medidas para revisar os contratos com hospitais privados. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-AL) também se manifestou, classificando o episódio como “grave atentado à ética” e prometendo apurar a participação de advogados no suposto esquema.
O GAECO estima que o esquema operava há pelo menos três anos, com indícios de que as cirurgias eram realizadas em unidades como o Hospital da Cidade, em Maceió, que já foi alvo de denúncias anteriores de superfaturamento. A investigação agora busca identificar se houve participação de agentes públicos na liberação de recursos e na concessão das liminares. O caso promete abalar as estruturas do sistema de saúde e do Judiciário alagoano, com desdobramentos que podem incluir abertura de processos criminais e cassação de registros profissionais.
Fonte: ver noticia original

