O ministro dos Transportes e ex-governador de Alagoas, Renan Filho (MDB), fez um pedido público direto ao senador Rodrigo Cunha (Podemos-AL) para que o parlamentar atue no sentido de retirar o Banco de Brasília (BRB) da folha de pagamento dos servidores públicos estaduais. A declaração foi registrada durante agenda política no interior do estado e repercutiu como mais um capítulo da acirrada disputa política que antecede as eleições de 2026 em Alagoas, considerada a mais cara da história e já marcada por movimentações intensas de pré-campanha.
A cobrança de Renan Filho ocorre em um contexto de embates entre grupos políticos que buscam consolidar alianças e influenciar a gestão estadual. O BRB, banco público controlado pelo Governo do Distrito Federal, passou a operar em Alagoas após articulação do senador Rodrigo Cunha, que é pré-candidato ao governo do estado. Para Renan Filho, a presença do BRB na folha dos servidores representa uma ingerência externa e um movimento que fragiliza a autonomia financeira local, além de ser um instrumento político usado pelo senador para ampliar sua base eleitoral.
Impacto político e econômico da folha de pagamento
A folha de pagamento dos servidores públicos de Alagoas movimenta cerca de R$ 1,5 bilhão por ano, o que a torna um ativo estratégico para qualquer instituição financeira. A entrada do BRB nesse sistema, viabilizada por meio de acordo firmado entre o banco e o governo estadual, foi interpretada por aliados de Renan Filho como uma manobra do senador para fortalecer sua pré-candidatura ao Palácio dos Palmares. O ministro, que já governou o estado por dois mandatos e agora atua no governo federal, tem se posicionado como articulador de uma chapa forte ao Senado, com a pré-candidatura do médico Dr. Wanderley (MDB) e o apoio de lideranças como o próprio Renan Filho.
O pedido de exclusão do BRB da folha dos servidores não é apenas uma questão técnica, mas um movimento político que expõe as fissuras entre os grupos que disputam o controle do estado. Enquanto Rodrigo Cunha busca consolidar sua imagem como renovador e independente, Renan Filho representa a continuidade de uma tradição política familiar que domina Alagoas há décadas. A disputa pelo controle da máquina pública e dos recursos financeiros é central nesse embate, e a folha de pagamento é um dos principais termômetros dessa rivalidade.
Panorama geral: pré-campanha antecipada e alianças em construção
As eleições de 2026 em Alagoas já mobilizam os principais atores políticos do estado, com pré-campanhas iniciadas antes mesmo do período oficial. Renan Filho tem percorrido o Sertão e o Litoral Norte em caravanas, ampliando a presença do governo federal e fortalecendo alianças regionais. Em paralelo, o senador Rodrigo Cunha também intensifica agendas no interior, buscando construir uma base própria que desafie o domínio histórico do grupo liderado pelos Renan e pelos Calheiros.
A cobrança pública feita por Renan Filho a Rodrigo Cunha sobre o BRB é mais um sinal de que a disputa política em Alagoas será acirrada e cara. Com a eleição mais cara da história já projetada, os gastos com campanhas devem superar recordes anteriores, impulsionados pela necessidade de financiamento de estruturas partidárias, caravanas e acordos com bancos e instituições financeiras. O BRB, nesse contexto, é visto como uma peça-chave no xadrez político, e sua permanência ou saída da folha dos servidores pode influenciar diretamente o equilíbrio de forças nas eleições de 2026.
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