A paulistana Thaís Borges, 46, que desde a infância sonhava em trabalhar em banco ao ver mulheres da área na TV com salto alto e terninho, tornou-se executiva à frente de empresas de investimentos e agora relata o que faz para ser levada a sério em um setor predominantemente masculino. Ela é uma das entrevistadas da pesquisa “Imaginário de Poder das Mulheres Brasileiras”, realizada pelo Estúdio Clarice, organização de inteligência e criação focada em investigar e fomentar o poder feminino por meio de pesquisas e produções audiovisuais. O levantamento, divulgado em 2 de junho de 2026, aponta que 4 em cada 10 brasileiros não sabem nomear uma mulher poderosa, revelando um déficit de representatividade feminina no imaginário coletivo.
Em entrevista à Folha de S.Paulo, Thaís Borges detalhou as estratégias que adota para ser respeitada em reuniões com investidores e colegas de trabalho. “Meu sonho começou ali”, afirmou, referindo-se à infância, mas destacou que a realidade exige mais do que aparência: é preciso dominar números, antecipar argumentos e usar uma comunicação assertiva. Ela conta que, frequentemente, precisa falar mais alto ou repetir ideias para que sejam ouvidas, enquanto homens com as mesmas propostas são aceitos de imediato. A executiva também mencionou a importância de construir uma rede de apoio entre mulheres e de mentorias para enfrentar o viés de gênero.
Panorama político e social do mercado de trabalho feminino
A pesquisa “Imaginário de Poder das Mulheres Brasileiras” insere-se em um contexto mais amplo de debates sobre igualdade de gênero no Brasil. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que as mulheres ocupam apenas 37% dos cargos de liderança no setor financeiro, e a diferença salarial entre gêneros persiste, com mulheres ganhando em média 20% menos que homens na mesma função. O levantamento do Estúdio Clarice também revela que, quando questionados sobre figuras femininas de poder, 40% dos brasileiros não conseguem citar nenhum nome, o que evidencia a falta de visibilidade de mulheres em posições de influência, seja na política, nos negócios ou na cultura.
Especialistas apontam que a ausência de referências femininas no imaginário popular reforça estereótipos e dificulta a ascensão de novas lideranças. A pesquisa ouviu 2.000 pessoas em todas as regiões do país e mostrou que, entre os que citaram nomes, Dilma Rousseff e Marta Suplicy foram as mais lembradas, mas ainda com baixa frequência. O estudo sugere que a mídia e as empresas têm papel crucial em amplificar histórias como a de Thaís Borges para mudar esse cenário.
O relato da executiva ecoa desafios enfrentados por outras profissionais do setor. Em 2025, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) registrou que apenas 15% dos gestores de fundos de investimento no Brasil são mulheres. Thaís Borges ressalta que, além de competência técnica, é necessário um esforço extra para ser levada a sério: “Você tem que provar seu valor o tempo todo, enquanto colegas homens são automaticamente considerados aptos”. Ela defende políticas corporativas mais inclusivas, como cotas em conselhos e programas de mentoria, para equilibrar o jogo.
Fonte: ver noticia original

