Um menino de dois anos, internado em maio de 2025 no hospital de Andradina (SP) com quadro de bronquiolite, morreu após receber uma superdose de um medicamento utilizado para intubação, em vez da hidrocortisona prescrita. A denúncia foi formalizada pelo Ministério Público e o caso tramita na Justiça. Nesta terça-feira (2), está marcada a primeira audiência de instrução do processo, que busca esclarecer as circunstâncias do erro e responsabilizar os envolvidos.
O erro ocorreu durante a administração de medicamentos na unidade hospitalar, quando a equipe de saúde teria confundido o fármaco correto com um remédio de uso restrito em procedimentos de intubação. A vítima, que apresentava sintomas respiratórios típicos de bronquiolite, recebeu uma dose excessiva do produto errado, o que agravou seu estado clínico e levou ao óbito. O Ministério Público aponta falha grave no protocolo de checagem de medicamentos e na supervisão da equipe.
Contexto do erro e repercussão
O caso expõe fragilidades no sistema de segurança do paciente em hospitais públicos e privados do interior paulista. A bronquiolite, doença comum em crianças pequenas, exige tratamento com hidrocortisona para controle da inflamação das vias aéreas. A troca por um medicamento de intubação, geralmente um sedativo ou bloqueador neuromuscular, pode causar parada respiratória e danos neurológicos irreversíveis, especialmente em doses elevadas.
A denúncia do Ministério Público não se limita ao erro individual, mas questiona a ausência de barreiras de segurança, como dupla checagem por farmacêuticos ou sistemas eletrônicos de prescrição. A primeira audiência de instrução, marcada para esta terça-feira (2), deve ouvir testemunhas, peritos e representantes do hospital, além de definir se o caso será levado a júri popular ou se haverá acordo judicial.
Panorama político e judicial
O incidente ocorre em meio a um debate nacional sobre a qualidade da assistência hospitalar no Brasil, especialmente em unidades do interior. Dados do Conselho Federal de Medicina indicam que erros de medicação são a terceira causa de morte evitável em hospitais brasileiros, atrás apenas de infecções e complicações cirúrgicas. A Secretaria de Saúde de Andradina ainda não se manifestou oficialmente, mas o caso já mobiliza associações de defesa do paciente e parlamentares locais, que cobram investigação rigorosa e punição exemplar.
A Justiça de São Paulo também analisa a possibilidade de responsabilizar o hospital por danos morais e materiais à família da vítima. O processo corre em segredo de Justiça, mas a audiência desta terça-feira (2) pode trazer novos elementos sobre a cadeia de erros que levou à morte da criança. Enquanto isso, a comunidade médica local reforça a necessidade de treinamento contínuo e adoção de protocolos internacionais de segurança, como a lista de verificação de medicamentos da Organização Mundial da Saúde.
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