Um imóvel pertencente a uma empresa da sogra do ex-governador Renan Filho foi alvo de denúncia antes de ser adquirido pelo Governo de Alagoas, conforme revelou o deputado estadual Fabio Costa (PP). A transação, que envolve um aluguel mensal de R$ 25 mil pago pelo Estado, gerou questionamentos sobre possíveis irregularidades na desapropriação, incluindo suspeitas de superfaturamento e conflito de interesses. O caso, que veio a público por meio de denúncia formalizada na Assembleia Legislativa, expõe a relação entre agentes públicos e familiares de ex-gestores, ampliando o debate sobre transparência em licitações e compras públicas no estado.
A denúncia, protocolada pelo deputado Fabio Costa no início de junho, aponta que o imóvel, localizado em área nobre de Maceió, foi alugado pelo governo alagoano por R$ 25 mil mensais antes de ser desapropriado. A empresa proprietária, cujo nome não foi divulgado, é controlada pela sogra do ex-governador Renan Filho, Júlia Britto. O valor do aluguel, considerado elevado para o padrão local, levantou suspeitas de que a transação teria sido superfaturada, beneficiando a família do ex-chefe do Executivo estadual.
O deputado Fabio Costa afirmou que a denúncia foi baseada em documentos obtidos junto à Secretaria de Estado da Administração (Sead) e ao Tribunal de Contas do Estado (TCE). “O que temos é um imóvel que, antes mesmo de ser comprado, já gerava um custo mensal de R$ 25 mil para o Estado, sem que houvesse justificativa clara para o valor. Isso é preocupante, especialmente quando se trata de uma empresa ligada à família de um ex-governador”, declarou o parlamentar em entrevista à imprensa local.
Panorama político e desdobramentos
O caso ganha relevância em meio a um cenário de escândalos de corrupção em Alagoas, que envolvem desde desvios em obras públicas até fraudes em licitações. A denúncia contra a desapropriação do imóvel da sogra de Renan Filho ocorre em um momento de forte pressão sobre o governo estadual, que enfrenta investigações do Ministério Público e da Polícia Federal sobre contratos suspeitos. A oposição, liderada por partidos como o PSDB e o MDB, já pediu a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar o caso, enquanto aliados do governo tentam minimizar o impacto, argumentando que a transação seguiu todos os trâmites legais.
O governo de Alagoas, por meio da Secretaria de Comunicação, afirmou que a desapropriação foi feita com base em laudos técnicos e que o valor do aluguel foi definido por avaliação de mercado. No entanto, o deputado Fabio Costa questiona a legalidade do processo, destacando que a denúncia original, feita por um cidadão comum, já apontava irregularidades antes mesmo da compra. “A denúncia foi feita antes de o Estado adquirir o imóvel, mas mesmo assim a transação foi concluída. Isso mostra que há um problema sistêmico de fiscalização”, afirmou.
O caso também reacende o debate sobre a influência política em licitações e compras públicas no estado. Especialistas em administração pública ouvidos pela reportagem destacam que a relação entre agentes públicos e familiares de ex-gestores é um ponto crítico para a transparência. “Quando há vínculos familiares, o risco de conflito de interesses é maior. É preciso que haja mecanismos robustos de controle para evitar que o dinheiro público seja usado para beneficiar parentes de políticos”, afirmou o cientista político Carlos Melo, da Universidade Federal de Alagoas (Ufal).
O deputado Fabio Costa já protocolou um pedido de investigação no Ministério Público Estadual (MPE) e no Tribunal de Contas do Estado (TCE), solicitando a anulação da desapropriação e a devolução dos valores pagos a título de aluguel. A expectativa é que o caso seja analisado nos próximos dias, com possíveis desdobramentos que podem incluir a abertura de inquérito civil e criminal. Enquanto isso, a sociedade alagoana acompanha com atenção os desdobramentos de mais um capítulo da política local, que expõe as fragilidades do sistema de controle e a necessidade de maior transparência nas contas públicas.
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