Ministro da Fazenda descarta inclusão do Pix em negociações com os EUA e reafirma soberania financeira do Brasil

O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quinta-feira (26) que o sistema de pagamentos instantâneos brasileiro, o Pix, não será incluído nas negociações comerciais entre o Brasil e os Estados Unidos. A declaração ocorre em meio a tratativas bilaterais que envolvem temas econômicos e financeiros, e reforça a defesa da soberania nacional sobre as políticas monetárias e de pagamentos do país.

Durante entrevista coletiva, Durigan destacou que o Pix é um patrimônio do povo brasileiro e que sua gestão permanecerá sob controle exclusivo do Banco Central do Brasil. “Não há qualquer possibilidade de o Pix ser objeto de discussão em mesas de negociação com outros países. Isso é uma questão de soberania”, afirmou o secretário-executivo, que também é o número dois da pasta comandada pelo ministro Fernando Haddad.

A declaração de Durigan ocorre em um contexto de aproximação comercial entre Brasil e EUA, que inclui a discussão de acordos nas áreas de comércio, tecnologia e serviços financeiros. Nos últimos meses, representantes do governo brasileiro têm se reunido com contrapartes americanas para tratar de temas como a regulação de criptomoedas, a interoperabilidade de sistemas de pagamento e a cooperação em inovação financeira.

Panorama político e econômico

A posição do governo brasileiro reflete uma preocupação crescente com a proteção de ativos estratégicos nacionais, especialmente em um cenário de tensões geopolíticas e de disputas comerciais globais. O Pix, lançado em 2020, tornou-se um dos sistemas de pagamento mais populares do mundo, com mais de 160 milhões de usuários no Brasil, e é visto como uma ferramenta de inclusão financeira e de redução de custos para consumidores e empresas.

Especialistas apontam que a defesa da soberania financeira é um tema sensível em negociações internacionais, especialmente quando envolve sistemas que processam dados sensíveis de cidadãos. “O Pix não é apenas um meio de pagamento; ele é um instrumento de política pública que impacta a vida de milhões de brasileiros. Qualquer tentativa de submetê-lo a acordos externos seria vista como uma violação da autonomia nacional”, analisou a economista Ana Paula Vescovi, ex-secretária do Tesouro Nacional.

Por outro lado, a posição do governo brasileiro pode gerar atritos com os EUA, que têm pressionado por maior transparência e interoperabilidade em sistemas financeiros globais. No entanto, Durigan foi enfático ao afirmar que o Brasil não abrirá mão de seu controle sobre o Pix. “Nossa soberania não está à venda. O Pix é um sucesso brasileiro e continuará sendo gerido pelo Banco Central, de acordo com os interesses do nosso povo”, concluiu.

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