Crescimento de 63% no número de eleitores transgênero em Alagoas reflete avanço da cidadania e visibilidade

O Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL) registrou um aumento de mais de 63% no número de eleitores que se declararam transgênero no estado, saltando de 788 eleitores em maio de 2024 para 1.285 em maio de 2026. O dado, divulgado pelo órgão, reflete uma ampliação do reconhecimento da identidade de gênero e aponta para um avanço significativo na cidadania e na visibilidade da população trans no cenário político local.

O crescimento expressivo ocorre em um contexto de maior debate sobre direitos LGBTQIA+ e políticas de inclusão no Brasil. Especialistas apontam que o aumento pode estar relacionado a campanhas de conscientização, facilitação no processo de alteração de nome e gênero nos documentos eleitorais, e ao fortalecimento de movimentos sociais que incentivam o registro eleitoral como forma de exercício pleno da cidadania.

Em Alagoas, o fenômeno acompanha uma tendência nacional, onde o número de eleitores transgênero também vem crescendo de forma consistente. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicam que, em todo o país, o total de eleitores que se declararam transgênero passou de 45 mil em 2024 para mais de 70 mil em 2026, um aumento de aproximadamente 55% no mesmo período.

Panorama político e impacto nas eleições

O crescimento do eleitorado transgênero em Alagoas ocorre em um momento de preparação para as Eleições 2026, com o prazo final para registro de partidos e federações definindo o cenário político nacional. A maior visibilidade desse segmento da população pode influenciar a formulação de propostas e políticas públicas voltadas à diversidade, além de pressionar candidatos e legendas a incluírem pautas LGBTQIA+ em suas plataformas.

Para o Movimento de Luta pelos Direitos LGBTQIA+ em Alagoas, o aumento no número de eleitores transgênero é um sinal de que a democracia brasileira está se tornando mais representativa. “Cada novo eleitor trans é uma vitória contra a invisibilidade histórica. Isso mostra que as pessoas estão se sentindo seguras para se declarar e exercer seu direito ao voto”, afirmou a coordenadora do movimento, Maria Clara dos Santos, em entrevista ao portal Política Alagoana.

O TRE-AL também destacou que, além do crescimento no número de eleitores, houve um aumento na procura por serviços de alteração de nome e gênero nos cartórios eleitorais. A medida, que pode ser feita de forma administrativa desde 2018, tem sido um dos principais instrumentos para garantir o reconhecimento da identidade de gênero no processo eleitoral.

Desafios e perspectivas

Apesar do avanço, especialistas alertam que o número ainda é pequeno em relação ao total de eleitores do estado, que ultrapassa 2 milhões. A subnotificação e o medo de discriminação ainda são barreiras para que mais pessoas transgênero se declarem oficialmente. “Precisamos de mais políticas públicas que garantam segurança e acolhimento, tanto nos locais de votação quanto na sociedade como um todo”, destacou o cientista político Carlos Eduardo de Oliveira, da Universidade Federal de Alagoas (UFAL).

O aumento de 63% em dois anos, no entanto, é visto como um indicador positivo de que a cidadania está se expandindo para grupos historicamente marginalizados. Com as eleições se aproximando, a expectativa é que o eleitorado transgênero se torne um ator político cada vez mais relevante, capaz de influenciar debates e decisões no estado e no país.

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