O jornalista Luan Araújo, vítima de uma perseguição armada protagonizada pela ex-deputada federal Carla Zambelli (PL) durante a campanha eleitoral de 2022, lançou uma campanha de arrecadação pela internet com o objetivo de contratar um advogado e ingressar com uma ação de indenização por danos morais contra a ex-parlamentar. A iniciativa, divulgada em junho de 2026, busca recursos para custear a representação jurídica necessária para processar Zambelli, que já foi condenada criminalmente pelo mesmo episódio.
O caso remonta a outubro de 2022, quando Carla Zambelli, então candidata à reeleição, perseguiu Luan Araújo armada com uma pistola em via pública, na região dos Jardins, em São Paulo. Imagens de câmeras de segurança e vídeos amadores flagraram a ex-deputada correndo atrás do jornalista, que havia participado de um debate político. O incidente gerou ampla repercussão nacional e internacional, levando à condenação de Zambelli por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal. Em 2025, a Justiça decretou a prisão da ex-parlamentar, que atualmente cumpre pena em regime semiaberto.
Vaquinha como alternativa à Justiça
Na campanha de arrecadação, Luan Araújo explica que, apesar da condenação criminal, ainda não obteve reparação pelos danos morais sofridos. “A Justiça criminal já se manifestou, mas a indenização por danos morais depende de um processo cível, que exige custas e honorários advocatícios”, afirma o jornalista. A vaquinha, portanto, surge como uma alternativa para viabilizar a ação, já que ele não dispõe de recursos para arcar com os custos. Até o momento, a campanha já arrecadou parte do valor necessário, mas ainda busca atingir a meta estipulada.
O episódio de 2022 não é um caso isolado no cenário político brasileiro. A perseguição armada de Carla Zambelli a Luan Araújo ocorreu em um contexto de radicalização política, com episódios de violência e intimidação durante as eleições. A ex-deputada, aliada do ex-presidente Jair Bolsonaro, sempre negou as acusações, mas as provas colhidas pela investigação foram contundentes. O caso também reacendeu o debate sobre o porte de armas por civis e a atuação de políticos em situações de conflito.
Impacto político e jurídico
A condenação de Carla Zambelli foi vista como um marco na responsabilização de figuras públicas por atos de violência política. Para especialistas, a decisão judicial reforça a necessidade de que agentes políticos sejam responsabilizados por seus atos, independentemente de cargo ou influência. “A Justiça criminal já deu sua resposta, mas a esfera cível é igualmente importante para reparar a vítima e desestimular novas condutas”, avalia o advogado Carlos Mendes, especialista em direito eleitoral.
Enquanto isso, Luan Araújo segue com a vaquinha e aguarda o desfecho do processo cível. A iniciativa também serve como alerta para a sociedade sobre os custos e desafios enfrentados por vítimas de violência política no Brasil. “Não é apenas sobre o dinheiro, mas sobre mostrar que ninguém está acima da lei”, conclui o jornalista.
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