A Polícia Civil de Alagoas desarticulou, nesta semana, um esquema de desvio de aproximadamente R$ 600 mil em uma Organização Não Governamental (ONG) localizada em Maceió, resultando na prisão de duas mulheres suspeitas de integrarem o esquema criminoso. A ação, conduzida pela Delegacia de Crimes contra a Administração Pública, revelou fraudes em contratos e notas fiscais frias que desviavam recursos públicos destinados a projetos sociais voltados para crianças e adolescentes.
As investigações apontam que as suspeitas, que ocupavam cargos de gestão na entidade, utilizavam empresas de fachada para emitir notas fiscais superfaturadas e contratos fictícios, desviando os valores para contas pessoais. O montante desviado, de R$ 600 mil, correspondia a verbas oriundas de convênios com órgãos públicos municipais e estaduais, que deveriam ser aplicadas em programas de assistência social. A Polícia Civil informou que as prisões ocorreram após meses de monitoramento e análise de documentos contábeis, que identificaram irregularidades nos repasses financeiros.
Esquema envolvia notas frias e contratos superfaturados
De acordo com o delegado responsável pelo caso, Carlos Alberto de Oliveira, o esquema funcionava por meio da criação de empresas de fachada que emitiam notas fiscais frias para a ONG, simulando a prestação de serviços que nunca foram realizados. “Identificamos que os contratos eram superfaturados e os valores eram desviados para contas pessoais das investigadas. O prejuízo ao erário é significativo, especialmente por se tratar de recursos que deveriam beneficiar crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade”, afirmou o delegado.
As duas mulheres presas, cujos nomes não foram divulgados pela polícia, são ex-gestoras da ONG e responderão por crimes de peculato, associação criminosa e falsidade ideológica. Durante o cumprimento dos mandados de prisão, os agentes apreenderam documentos, computadores e celulares que serão analisados para aprofundar as investigações. A Polícia Civil não descarta a possibilidade de novas prisões, à medida que outros envolvidos no esquema sejam identificados.
Panorama político e social em Alagoas
O caso ocorre em um contexto de crescente escrutínio sobre o uso de recursos públicos por organizações sociais em Alagoas. Nos últimos meses, outras operações policiais no estado já haviam mirado desvios em entidades que recebem verbas governamentais, como a Operação Morro do Alemão, que revelou a ligação de um pré-candidato a deputado federal com o Comando Vermelho, e a prisão de um influenciador filiado ao MDB de Renan Filho. Esses casos reforçam a necessidade de maior transparência e controle na destinação de recursos públicos, especialmente em áreas sensíveis como assistência social e segurança pública.
A Polícia Civil de Alagoas tem intensificado as ações de combate à corrupção e ao desvio de verbas, em parceria com o Ministério Público Estadual e o Tribunal de Contas. A operação desta semana é mais um exemplo desse esforço, que busca responsabilizar tanto os gestores públicos quanto os particulares que se beneficiam ilegalmente de recursos destinados à população. A sociedade alagoana, por sua vez, aguarda o desfecho das investigações e a recuperação dos valores desviados, que poderiam ter sido aplicados em políticas públicas efetivas para crianças e adolescentes.
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