O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quarta-feira (3), que o Brasil vai continuar buscando outros parceiros de negócios para minimizar os impactos da política comercial adotada pelos Estados Unidos. A declaração foi feita durante reunião ministerial no Palácio do Planalto, em meio ao anúncio de novas taxações estadunidenses a produtos brasileiros, que incluem a proposta de tarifa de 25% sobre parte das importações brasileiras, conforme relatório do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).
“Nós vamos procurar outros parceiros. Se ele não quer comprar, a gente vai vender para quem quiser comprar. Não vamos ficar reclamando. Se não quiser investir aqui, nós vamos procurar outro. O Brasil é dono do seu nariz. Isso aqui é um país democrático e soberano”, disse o presidente aos ministros de Estado, reforçando a postura de independência econômica e diplomática do país.
A reação brasileira ocorre após o USTR sugerir, na segunda-feira (1º), a taxação de 25% sobre parte das importações brasileiras, como parte de uma investigação iniciada há um ano no governo de Donald Trump contra supostas “práticas desleais” do Brasil no comércio com os EUA. A medida, se concretizada, afetará setores como siderurgia, alumínio, suco de laranja e etanol, com impacto direto na balança comercial bilateral, que em 2025 registrou superávit de US$ 12 bilhões para o Brasil.
Panorama político e econômico
A decisão de buscar novos parceiros insere-se em um contexto de tensões comerciais globais, com os EUA adotando postura protecionista sob a administração Trump. O Brasil, por sua vez, tem diversificado suas relações comerciais, ampliando acordos com a China, a União Europeia e o Mercosul. A fala de Lula ecoa a necessidade de reduzir a dependência do mercado norte-americano, que responde por cerca de 12% das exportações brasileiras.
“Nós resolvemos não adotar mais a política do vira-lata diante das grandes potências. Nós não somos melhores do que ninguém, mas não somos piores. Vamos respeitar todo mundo, mas queremos respeito”, acrescentou o presidente, em tom de crítica à postura histórica de subserviência diplomática.
A reunião ministerial também abordou a defesa do sistema de pagamentos instantâneos Pix, que Lula classificou como “motivo de inveja” nos EUA. O presidente responsabilizou o “clã Bolsonaro” por ataques ao sistema, em referência a críticas feitas por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro durante a campanha eleitoral de 2022.
Para minimizar os efeitos das tarifas, o governo brasileiro estuda medidas como a aceleração de negociações com a União Europeia para o acordo Mercosul-UE, a ampliação de parcerias com a Ásia e a África, e o fortalecimento de cadeias produtivas internas. O Ministério da Economia, comandado por Fernando Haddad, já iniciou contatos com representantes de países como China, Índia e Indonésia para explorar novas oportunidades de exportação.
A taxação proposta pelos EUA também reacende o debate sobre a soberania nacional e a necessidade de políticas industriais robustas. Especialistas apontam que, embora a diversificação de parceiros seja positiva, o Brasil precisa investir em inovação e competitividade para não depender exclusivamente de commodities. A crise comercial com os EUA pode, paradoxalmente, acelerar reformas internas e a busca por maior autonomia econômica.
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