A Polícia Civil de Alagoas investiga a existência de um possível cemitério clandestino em uma área de manguezal localizada no município de Coruripe, no litoral sul do estado. A suspeita surgiu após denúncias anônimas e indícios de movimentação suspeita na região, que teria sido utilizada para ocultar corpos de vítimas de homicídio. A operação, ainda em fase inicial, mobiliza equipes da Delegacia Regional de Coruripe e do Instituto de Criminalística, que realizam perícias no local para confirmar a existência de restos mortais e identificar possíveis vítimas.
O caso ganhou repercussão nacional e acendeu um alerta sobre a escalada da violência no litoral alagoano, área historicamente marcada por conflitos fundiários, disputas por territórios de tráfico de drogas e exploração de recursos naturais. De acordo com informações preliminares, a região do manguezal onde as investigações ocorrem é de difícil acesso e já foi alvo de denúncias anteriores de desaparecimentos forçados. A Secretaria de Segurança Pública de Alagoas (SSP-AL) informou que reforçou o efetivo policial na área e que a investigação corre sob sigilo para não comprometer as apurações.
Panorama político e social
A descoberta de um possível cemitério clandestino em Coruripe ocorre em um contexto de aumento da violência no interior de Alagoas, que registrou, em 2024, uma alta de 12% nos homicídios em relação ao ano anterior, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. A situação expõe a fragilidade das políticas de segurança pública no estado, que enfrenta desafios como a falta de efetivo policial, a precariedade das delegacias e a atuação de facções criminosas que disputam o controle de rotas do tráfico de drogas e armas.
O caso também reacende o debate sobre a atuação do Governo de Alagoas e do Ministério Público Estadual no combate à criminalidade. Em nota, a Ordem dos Advogados do Brasil em Alagoas (OAB-AL) manifestou preocupação com a possível existência de valas clandestinas e cobrou celeridade nas investigações. A Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Alagoas também anunciou que acompanhará o caso de perto, enquanto entidades de defesa dos direitos humanos denunciam a omissão do poder público diante do aumento de desaparecimentos na região.
Em meio a esse cenário, a Polícia Civil trabalha para identificar se o local foi utilizado para ocultar corpos de vítimas de execuções sumárias ou de conflitos agrários, comuns na região. A perícia no manguezal deve durar vários dias, e os resultados poderão subsidiar novas operações policiais e ações de busca por pessoas desaparecidas. O caso de Coruripe se soma a outros episódios recentes de violência no estado, como as operações policiais em União dos Palmares e Maceió, que resultaram em prisões e apreensões de armas e drogas.
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