Operação conjunta descobre suposto cemitério clandestino com dois corpos em manguezal de Coruripe

A Polícia Civil de Alagoas (PCAL), em ação conjunta com a Polícia Militar de Alagoas (PMAL) e o Corpo de Bombeiros Militar de Alagoas (CBMAL), deflagrou nessa quarta-feira (03) uma operação contra organizações criminosas no município de Coruripe, resultando na descoberta de um suposto cemitério clandestino em área de manguezal conhecida como ‘Buraco’, onde dois corpos foram localizados. A investigação, que apura denúncia de ocultação de cadáveres, mobilizou drones e cães farejadores para vasculhar a região de difícil acesso, evidenciando a escalada da violência e a atuação de facções no litoral sul alagoano.

A operação, coordenada pela Delegacia Regional de Coruripe, contou com o apoio de equipes especializadas da PCAL, incluindo peritos criminais e agentes de investigação, além de militares do 11º Batalhão da PMAL e mergulhadores do CBMAL. As buscas se concentraram em uma área de mangue densa, onde, após varredura com cães farejadores e sobrevoo de drones, os corpos foram encontrados parcialmente enterrados. As vítimas, ainda não identificadas oficialmente, foram removidas para o Instituto Médico Legal (IML) de Maceió para exames de necropsia e identificação por meio de impressões digitais ou DNA.

Contexto de violência e disputa territorial

A descoberta do suposto cemitério clandestino ocorre em meio a um cenário de recrudescimento da criminalidade em Coruripe e cidades vizinhas, onde facções criminosas disputam o controle de rotas de tráfico de drogas e armas. Dados da Secretaria de Segurança Pública de Alagoas indicam que a região sul do estado registrou aumento de 15% nos homicídios no primeiro semestre de 2024, em comparação com o mesmo período do ano anterior. A ação integrada das forças de segurança reflete a estratégia do governo estadual de intensificar operações em áreas de vulnerabilidade, mas especialistas apontam que a falta de políticas sociais e de urbanização em comunidades ribeirinhas contribui para a perpetuação de conflitos.

O delegado responsável pela investigação, João Carlos Silva, afirmou que a denúncia anônima foi recebida há cerca de duas semanas e que as equipes trabalharam para confirmar a localização exata antes de deflagrar a operação. ‘A área de manguezal é de difícil acesso, mas com o uso de tecnologia e cães farejadores conseguimos localizar os corpos. Acreditamos que outras vítimas possam estar enterradas no local, e as buscas continuarão nos próximos dias’, declarou. A PCAL não descarta a possibilidade de que o local seja usado por organizações criminosas para ocultar cadáveres de desafetos ou de pessoas executadas em acertos de contas.

Impacto na comunidade e desdobramentos

A descoberta gerou comoção entre moradores de Coruripe, que relataram à imprensa local o medo de represálias e a sensação de abandono por parte do poder público. ‘A gente sabe que tem gente sumindo, mas ninguém fala com medo. Espero que a polícia investigue até o fim’, disse uma moradora que preferiu não se identificar. A prefeitura de Coruripe informou, por meio de nota, que está à disposição das autoridades para colaborar com as investigações e que reforçará a iluminação e a vigilância em áreas de mangue próximas a bairros periféricos.

As investigações seguem sob sigilo, mas a PCAL já solicitou à Justiça a quebra de sigilos telefônicos e o rastreamento de veículos suspeitos na região. A operação desta quarta-feira é a maior já realizada no município desde a criação da Delegacia Regional, em 2022, e deve servir de modelo para ações futuras em outras cidades do litoral sul. Enquanto isso, o IML de Maceió trabalha para identificar os corpos e determinar as causas das mortes, que podem incluir sinais de violência por arma de fogo ou instrumentos perfurocortantes.

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