Uma operação conjunta entre a Secretaria da Fazenda de Pernambuco (Sefaz), a Polícia Federal e a Polícia Militar resultou no desmantelamento de uma fábrica clandestina de cigarros no município de Cabo de Santo Agostinho, na Região Metropolitana do Recife, e no resgate de 25 paraguaios mantidos em situação análoga à escravidão. A ação, realizada na última quarta-feira (26), também culminou na prisão de 19 pessoas e na apreensão de toneladas de cigarros falsificados, em mais um golpe contra o contrabando e o trabalho escravo no estado.
De acordo com as autoridades, a fábrica operava em um galpão industrial na zona rural do Cabo de Santo Agostinho, onde os trabalhadores paraguaios eram submetidos a jornadas exaustivas, sem registro formal e sem condições mínimas de segurança e higiene. Os resgatados, que estavam no Brasil de forma irregular, foram encaminhados para abrigos e receberão assistência do Ministério Público do Trabalho (MPT) e da Defensoria Pública da União. A situação configura crime de redução à condição análoga à de escravo, previsto no artigo 149 do Código Penal.
Estrutura criminosa e apreensões
Durante a operação, os agentes apreenderam cerca de 15 toneladas de cigarros falsificados, além de maquinário industrial de ponta, insumos como tabaco, papel e filtros, e veículos utilizados no transporte da produção. A estimativa da Sefaz é que o prejuízo ao crime organizado ultrapasse R$ 50 milhões, considerando os impostos sonegados e o valor de mercado dos produtos apreendidos. As investigações apontam que a fábrica abastecia o mercado ilegal em todo o Nordeste, com ramificações em outros estados.
As 19 pessoas presas, entre brasileiros e paraguaios, são acusadas de integrarem uma organização criminosa especializada em contrabando, falsificação e trabalho escravo. Entre os detidos estão os supostos líderes do esquema, que já eram monitorados há meses pela Polícia Federal em conjunto com a Receita Federal. Os presos foram encaminhados para a sede da Polícia Federal no Recife, onde permanecem à disposição da Justiça.
Panorama político e social
O caso reacende o debate sobre a exploração de mão de obra estrangeira no Brasil, especialmente de paraguaios, que muitas vezes são aliciados por promessas de trabalho digno e acabam em condições degradantes. A operação também expõe a dimensão do contrabando de cigarros no país, que movimenta bilhões de reais por ano e financia outras atividades criminosas, como tráfico de drogas e armas. Especialistas apontam que a falta de fiscalização em zonas rurais e a fragilidade das leis trabalhistas contribuem para a perpetuação desses crimes.
Em nota, a Secretaria da Fazenda de Pernambuco destacou que a ação é resultado de um trabalho integrado entre as forças de segurança e os órgãos de fiscalização, e que novas operações estão previstas para coibir a atuação de grupos criminosos no estado. O Ministério Público do Trabalho informou que vai acompanhar a situação dos resgatados e garantir que os responsáveis sejam punidos. A Polícia Federal abriu inquérito para investigar a cadeia de financiamento e distribuição dos cigarros falsificados.
A operação no Cabo de Santo Agostinho é a maior do tipo já realizada em Pernambuco nos últimos anos e serve de alerta para a necessidade de políticas públicas mais efetivas no combate ao trabalho escravo e ao contrabando. Enquanto isso, os 25 paraguaios resgatados aguardam a regularização de sua situação migratória e o retorno ao país de origem, com apoio das autoridades consulares do Paraguai no Brasil.
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