O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) marcou presença na Marcha para Jesus neste sábado (4) e, ao menos entre os fiéis presentes, conseguiu um bom desempenho. Apesar de não atingir uma nota máxima, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) aproveitou o ricochete da popularidade paterna e teve seu momento de destaque com o público evangélico, conforme apurou a reportagem da Folha de S.Paulo.
A participação de Flávio ocorre em um contexto de disputa pelo eleitorado religioso, especialmente entre os evangélicos, que representam uma fatia decisiva nas eleições de 2026. O evento, que reúne milhões de pessoas na capital paulista, é visto como um termômetro para pré-candidatos que buscam se aproximar desse segmento. A recepção positiva, no entanto, não elimina os riscos de um desgaste conhecido como “efeito fariseu” — quando a exposição excessiva ou a falta de autenticidade gera rejeição entre os próprios fiéis.
Panorama político e o peso do sobrenome
A presença de Flávio Bolsonaro na Marcha para Jesus reforça a estratégia do PL de manter a base conservadora unida em torno do clã Bolsonaro, mesmo diante das investigações que cercam o ex-presidente. O senador, que já foi alvo de apurações sobre supostas irregularidades em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, busca agora projetar uma imagem de liderança independente, mas ainda depende do capital político herdado do pai.
Analistas políticos apontam que, para evitar o “efeito fariseu”, Flávio precisará equilibrar a herança bolsonarista com uma atuação própria que dialogue com as demandas específicas do eleitorado evangélico, como pautas de costumes e liberdade religiosa. A Marcha para Jesus, nesse sentido, foi um teste inicial — e, segundo a avaliação da reportagem, ele passou, mas sem nota 10.
O evento também ocorre em meio a articulações para as eleições de 2026, quando o PL deve lançar candidatos próprios em diversos estados. A presença de Flávio, ao lado de outras lideranças do partido, sinaliza a tentativa de consolidar o nome da família Bolsonaro como principal referência da direita brasileira, mesmo com a inelegibilidade de Jair Bolsonaro.
Para os organizadores da Marcha para Jesus, a participação de políticos é vista com naturalidade, desde que respeitem o caráter religioso do evento. “A Marcha é um momento de fé, mas também de encontro com lideranças que defendem nossos valores”, afirmou um dos pastores presentes, que preferiu não se identificar. A fala reflete a ambiguidade do evento, que mescla espiritualidade e política.
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