Diretor de jornal denuncia censura judicial movida por ex-prefeito de Maceió e acende alerta sobre liberdade de imprensa em Alagoas

O diretor do jornal A Notícia, Wellington Sena, utilizou as redes sociais nesta quinta-feira (4) para criticar as tentativas de censura à imprensa realizadas pelo ex-prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (JHC), por meio do Judiciário alagoano. Em vídeo divulgado em seu perfil no Instagram, Sena denunciou o que classifica como um movimento sistemático de intimidação contra veículos de comunicação independentes no estado, acendendo um alerta sobre os riscos à liberdade de imprensa em Alagoas.

A denúncia de Wellington Sena ocorre em um contexto de crescente tensão entre políticos locais e a mídia, especialmente após decisões judiciais que determinaram a remoção de conteúdos críticos a gestões municipais. O caso envolvendo JHC, que governou Maceió entre 2021 e 2024, é apontado por Sena como um exemplo de uso do aparato jurídico para silenciar vozes dissonantes, prática que especialistas em direito à comunicação consideram um retrocesso democrático.

Panorama político e judicial em Alagoas

O episódio reflete um padrão mais amplo observado em Alagoas, onde pelo menos três processos judiciais movidos por ex-prefeitos contra jornalistas e blogs independentes tramitam atualmente na Justiça estadual. Em todos os casos, as ações pedem a retirada de reportagens que abordam denúncias de irregularidades administrativas, como superfaturamento em contratos e suspeitas de desvio de recursos públicos. Organizações de defesa da liberdade de imprensa, como a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), já manifestaram preocupação com o que chamam de “censura judicial disfarçada”.

No vídeo, Sena não detalhou o teor específico da ação movida por JHC, mas afirmou que a medida busca “calar a imprensa que investiga e denuncia”. O ex-prefeito, por sua vez, não se manifestou publicamente até o fechamento desta edição. A assessoria de JHC foi procurada, mas não retornou os contatos. O caso ganhou repercussão nacional, com entidades como a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) emitindo nota de solidariedade a Wellington Sena e ao jornal A Notícia.

Impacto para a democracia e o jornalismo local

A situação em Alagoas é vista como um termômetro para o restante do país, onde ações de censura prévia contra a imprensa têm aumentado nos últimos anos, segundo relatórios do Observatório da Liberdade de Imprensa. Em 2024, o Brasil registrou 47 casos de censura judicial a veículos de comunicação, um aumento de 12% em relação ao ano anterior. Especialistas alertam que a judicialização de críticas políticas pode sufocar o jornalismo investigativo local, especialmente em estados com menor capilaridade de grandes grupos de mídia.

Wellington Sena encerrou sua manifestação nas redes sociais com um apelo à sociedade civil e aos órgãos de classe para que acompanhem o desenrolar do caso. “Não podemos normalizar a censura. A imprensa livre é um pilar da democracia, e qualquer tentativa de silenciá-la deve ser combatida com transparência e união”, declarou. O jornal A Notícia, fundado há 15 anos, é conhecido por reportagens sobre corrupção e má gestão pública em Alagoas, o que o torna alvo frequente de ações judiciais.

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