Quem pretende acompanhar os jogos da Copa do Mundo de 2026 em bares e restaurantes deve sentir mais os efeitos da inflação do que os brasileiros que planejam investir em uma nova televisão ou assinar serviços para assistir às partidas em casa, segundo levantamento da Folha de S.Paulo.
O estudo, publicado em 5 de junho de 2026, aponta que o custo de consumir alimentos e bebidas em estabelecimentos comerciais durante o torneio subiu acima da média geral de preços, impactando diretamente o orçamento de torcedores que optam por essa experiência coletiva. Enquanto isso, alternativas domésticas, como a compra de uma TV nova ou a assinatura de plataformas de streaming, tiveram reajustes menores, tornando-se opções mais acessíveis para acompanhar os jogos.
Panorama econômico e impacto no consumo
A inflação setorial, que já vinha pressionando o setor de alimentação fora do lar desde o início de 2026, ganhou novo impulso com a proximidade da Copa. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que o grupo de alimentação e bebidas acumula alta de 8,2% nos últimos 12 meses, enquanto o índice geral de preços ao consumidor (IPCA) ficou em 5,7% no mesmo período. Bares e restaurantes, que dependem de insumos como carnes, cervejas e refrigerantes, repassaram esses custos ao consumidor final.
O estudo da Folha também destaca que o churrasco de frango, a cerveja zero e o refrigerante diet devem ganhar espaço nos cardápios durante a Copa, como forma de os estabelecimentos equilibrarem os preços. “A pressão inflacionária é generalizada, mas atinge de forma mais intensa os itens consumidos em bares, como petiscos e bebidas alcoólicas”, afirma Carlos Alberto dos Santos, economista do Centro de Estudos do Consumo da Universidade de São Paulo (USP).
Comparação com opções domésticas
Enquanto sair para assistir aos jogos ficou mais caro, as alternativas caseiras tiveram reajustes mais moderados. A compra de uma televisão nova, por exemplo, registrou aumento de 3,1% nos últimos 12 meses, segundo a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee). Já as assinaturas de serviços de streaming, como Globoplay e Netflix, tiveram reajustes entre 4% e 6%, abaixo da inflação geral.
“Para quem tem um orçamento mais apertado, assistir em casa se tornou a opção mais racional, especialmente com a possibilidade de dividir o custo com amigos ou familiares”, avalia Mariana Oliveira, analista de consumo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Ela ressalta que a diferença de custo entre as duas modalidades pode chegar a 40% em algumas regiões metropolitanas.
Panorama político e social
A situação reflete um cenário mais amplo de desafios econômicos no país, que ainda lida com os efeitos da política de juros altos do Banco Central e da desaceleração do crescimento. O governo federal, sob a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tem adotado medidas de estímulo ao consumo, como a redução do IPI para eletrodomésticos e a manutenção do programa Bolsa Família, mas o impacto na inflação de alimentos ainda é limitado.
Para o setor de bares e restaurantes, a Copa de 2026 representa uma oportunidade de recuperação após as perdas da pandemia, mas a inflação pode reduzir o fluxo de clientes. “O torcedor vai pensar duas vezes antes de gastar R$ 150 em um bar para ver um jogo, quando pode gastar R$ 50 em casa com a família”, observa João Pedro Almeida, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel).
Com a proximidade do torneio, que será sediado em Estados Unidos, Canadá e México, a expectativa é de que o consumo em bares e restaurantes cresça, mas em ritmo menor do que em edições anteriores. A Folha conclui que a inflação, mais uma vez, se impõe como um fator determinante nas escolhas dos brasileiros durante a Copa.
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