Superlotação na Maternidade Santa Mônica expõe colapso na saúde pública de Alagoas

Um novo vídeo divulgado nesta quarta-feira expõe a superlotação crítica na Maternidade Santa Mônica, em Alagoas, ampliando a crise na saúde pública do estado. As imagens mostram pacientes ocupando corredores, enquanto médicos denunciam a falta de equipamentos essenciais, como respiradores e monitores cardíacos, e alertam para o risco iminente de colapso no atendimento materno-infantil. A situação reacende questionamentos sobre as prioridades da gestão estadual, que enfrenta denúncias de subfinanciamento e má gestão na área da saúde.

O vídeo, obtido com exclusividade pela reportagem, registra dezenas de gestantes e recém-nascidos internados em macas nos corredores da unidade, que é referência para partos de alto risco em Alagoas. Profissionais de saúde ouvidos pela República do Povo confirmaram que a capacidade da maternidade, de 80 leitos, foi ultrapassada em mais de 40%, com pacientes sendo acomodadas em áreas improvisadas. A falta de equipamentos básicos, como bombas de infusão e incubadoras, foi citada como um dos principais gargalos, agravado pela ausência de manutenção preventiva.

A denúncia ocorre em meio a um cenário de crise financeira no sistema de saúde alagoano, que acumula dívidas com fornecedores e enfrenta cortes no repasse federal. Dados do Conselho Regional de Medicina de Alagoas (CRM-AL) indicam que, nos últimos seis meses, ao menos três unidades de saúde do estado registraram superlotação semelhante, mas a Maternidade Santa Mônica é a mais afetada por sua especialização. Médicos relataram que a situação já provocou a transferência de pacientes para hospitais de Maceió, sobrecarregando ainda mais a rede.

Panorama político e impacto social

A crise na Maternidade Santa Mônica insere-se em um contexto mais amplo de deterioração dos serviços públicos em Alagoas, onde a saúde é apontada como uma das áreas mais críticas. Especialistas ouvidos pela reportagem destacam que a superlotação reflete a falta de planejamento e a insuficiência de investimentos em infraestrutura, enquanto o governo estadual enfrenta pressão de movimentos sociais e entidades médicas por transparência e ações emergenciais. A oposição na Assembleia Legislativa de Alagoas já protocolou requerimentos de informações sobre os gastos com saúde e cobra a convocação do secretário estadual de Saúde para prestar esclarecimentos.

O impacto social é imediato: gestantes de baixa renda, que dependem exclusivamente do SUS, são as mais afetadas, com relatos de espera de até 12 horas por atendimento. A falta de equipamentos essenciais, como respiradores, eleva o risco de complicações em partos prematuros, enquanto a superlotação nos corredores expõe pacientes a infecções hospitalares. A República do Povo apurou que, nas últimas 72 horas, ao menos duas gestantes foram transferidas para unidades em Maceió em estado grave, sem garantia de leitos de UTI neonatal.

Diante da gravidade, o Ministério Público de Alagoas (MP-AL) anunciou a abertura de uma investigação para apurar as condições da maternidade e possíveis responsabilidades de gestores. A Secretaria Estadual de Saúde, em nota, reconheceu a superlotação, mas atribuiu o problema ao aumento sazonal de partos e à falta de repasses federais, prometendo a abertura de novos leitos em até 30 dias. No entanto, médicos e sindicatos consideram a medida insuficiente e cobram ações imediatas para evitar uma tragédia anunciada.

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