Ministro do Esporte entrega marco regulatório da Copa Feminina à Fifa em Miami

O ministro do Esporte entregou, na última sexta-feira (5), em Miami (Estados Unidos), o marco regulatório da Copa Feminina à Fifa. O documento, elaborado em parceria com o governo federal e entidades esportivas, estabelece as bases legais e operacionais para a realização do torneio no Brasil, previsto para 2027. A entrega ocorreu durante reunião com representantes da entidade máxima do futebol mundial, que avaliaram positivamente o avanço das negociações.

O marco regulatório define regras para infraestrutura de estádios, direitos das jogadoras, financiamento público e privado, e mecanismos de transparência. Entre os pontos principais, estão a garantia de igualdade de condições entre atletas femininas e masculinas, com salários mínimos e benefícios trabalhistas equiparados, além de investimentos em centros de treinamento e alojamentos. O documento também prevê a criação de um fundo específico para a Copa, com recursos da União, estados e municípios, estimados em R$ 1,2 bilhão.

O encontro em Miami ocorre em meio a um cenário político de disputas entre o governo federal e a oposição, que questiona a destinação de verbas públicas para eventos esportivos. Parlamentares de partidos como o PL e o Novo criticam o montante, enquanto aliados do governo defendem o legado social e econômico do torneio. A Fifa, por sua vez, condiciona a realização da Copa à aprovação do marco regulatório pelo Congresso Nacional, o que deve ocorrer até o fim de 2026.

Impactos e próximos passos

Especialistas apontam que o marco pode impulsionar o futebol feminino no Brasil, que ainda sofre com desigualdade de investimentos em relação ao masculino. Dados do Ministério do Esporte indicam que apenas 15% dos clubes brasileiros têm times femininos profissionais, e a média salarial das jogadoras é 80% menor que a dos homens. A expectativa é que a Copa gere 50 mil empregos diretos e indiretos, além de movimentar R$ 3 bilhões na economia.

A entrega do documento à Fifa é o primeiro passo de um cronograma que inclui a aprovação legislativa, a definição das cidades-sede e a captação de patrocínios. O governo federal já sinalizou que as arenas de Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo são as favoritas para receber a final, mas a decisão final caberá à entidade. A oposição, no entanto, promete obstruir a tramitação do projeto no Congresso, alegando falta de transparência nos gastos.

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