Desordem alimentar eleva risco de diabetes, alerta endocrinologista

Pular refeições e comer tarde são comportamentos cotidianos que, quando somados a outros hábitos desregrados, aumentam significativamente o risco de desenvolvimento de diabetes tipo 2, alerta o endocrinologista Dr. Carlos Mendes, em entrevista ao portal Frances News. O especialista destaca que a desordenação da rotina alimentar, comum em grandes centros urbanos, potencializa o perigo metabólico e exige atenção redobrada da população e dos sistemas de saúde.

Segundo o médico, o principal problema não está em um único hábito, mas na combinação de fatores como horários irregulares para as refeições, consumo de alimentos ultraprocessados e falta de sono adequado. “A soma de pequenas desregulações diárias pode levar a um quadro de resistência à insulina, que é a porta de entrada para o diabetes”, explica Dr. Carlos Mendes. Ele ressalta que o pico de glicose no sangue, causado por longos períodos de jejum seguidos de refeições tardias e pesadas, sobrecarrega o pâncreas e compromete a produção de insulina.

O alerta ganha relevância em um contexto de aumento global dos casos de diabetes. Dados da Federação Internacional de Diabetes (IDF) indicam que, em 2025, o Brasil registrou mais de 16 milhões de pessoas com a doença, número que pode crescer 20% até 2030 se não houver mudanças nos hábitos alimentares e no estilo de vida. A desordem na rotina, impulsionada por jornadas de trabalho extensas e estresse crônico, é apontada como um dos principais fatores de risco modificáveis.

Impactos na saúde pública e no cotidiano

O endocrinologista enfatiza que a prevenção passa por medidas simples, como estabelecer horários fixos para as refeições, evitar pular o café da manhã e não comer após as 20h. “O corpo humano funciona com ritmos circadianos. Quando ignoramos esses sinais, o metabolismo sofre”, afirma. Ele também recomenda a redução do consumo de açúcares refinados e carboidratos simples, especialmente à noite, quando a atividade física é menor.

A pesquisa, publicada no periódico Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, corrobora a tese: um estudo com 5 mil participantes mostrou que aqueles que pulavam o café da manhã regularmente tinham 33% mais chances de desenvolver diabetes tipo 2, enquanto os que jantavam após as 22h apresentavam risco 19% maior. Os dados reforçam a necessidade de políticas públicas que incentivem a educação alimentar e a reorganização das jornadas de trabalho para permitir pausas adequadas.

Em um panorama político mais amplo, especialistas em saúde coletiva defendem que o combate ao diabetes deve incluir ações integradas entre governos, escolas e empresas. “Não basta apenas o alerta médico. É preciso criar ambientes que favoreçam escolhas saudáveis, como horários flexíveis para refeições e oferta de alimentos nutritivos em cantinas e restaurantes populares”, destaca a nutricionista Ana Beatriz Oliveira, da Universidade Federal de São Paulo. A desordem alimentar, portanto, não é apenas uma questão individual, mas um reflexo de estruturas sociais que precisam ser repensadas.

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