O pai do menino atacado por um tubarão na praia de Piedade, em Pernambuco, afirmou que o risco de infecção ainda é alto, mesmo após a cirurgia de emergência realizada na vítima. O incidente, ocorrido na última quarta-feira (5), reacendeu o debate sobre a segurança nas praias do litoral pernambucano, que registra uma média de dois ataques por ano nos últimos anos. A família, que reside na região metropolitana do Recife, acompanha o estado de saúde do garoto, internado em uma unidade de terapia intensiva.
O ataque aconteceu por volta das 15h, quando o menino, de 12 anos, brincava na faixa de areia próxima ao mar. Segundo testemunhas, o animal, identificado como um tubarão-tigre, avançou contra a criança, que sofreu ferimentos graves na perna direita. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e prestou os primeiros socorros no local, antes de encaminhá-lo ao Hospital da Restauração, no Recife. A equipe médica realizou uma cirurgia de aproximadamente quatro horas para conter a hemorragia e limpar os ferimentos, mas o risco de infecção permanece elevado devido à profundidade dos cortes e à presença de bactérias na água do mar.
O pai, que não teve o nome divulgado, declarou à imprensa local que a família está em estado de choque e que a prioridade é a recuperação do filho. Ele também criticou a falta de sinalização adequada nas praias, apesar dos alertas históricos sobre a presença de tubarões na região. Dados do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit) indicam que, desde 1992, foram registrados 65 ataques no litoral pernambucano, com 26 mortes. A maioria dos incidentes ocorre em áreas próximas a estuários e canais de navegação, como a praia de Piedade, onde o ataque atual aconteceu.
Panorama político e medidas de segurança
O caso gerou reações de autoridades estaduais e municipais. O governo de Pernambuco, por meio da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade, anunciou a intensificação das patrulhas com barcos e drones nas praias consideradas de risco. A prefeitura de Jaboatão dos Guararapes, município onde fica a praia de Piedade, informou que reforçará a sinalização com placas e a presença de salva-vidas, além de promover campanhas educativas para banhistas. No entanto, especialistas apontam que as medidas são insuficientes, pois o problema estrutural está relacionado à degradação ambiental e à pesca predatória, que afastam os tubarões de seus habitats naturais e os aproximam da costa.
O debate político se intensifica em um momento em que o estado enfrenta pressões de setores turísticos, que temem queda no fluxo de visitantes. Dados da Secretaria de Turismo de Pernambuco mostram que o litoral sul, onde ocorreu o ataque, recebe cerca de 1,5 milhão de turistas por ano, gerando receitas de aproximadamente R$ 2 bilhões. A Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) já convocou uma audiência pública para discutir a criação de um plano estadual de prevenção a ataques de tubarões, que incluiria a instalação de redes de proteção em áreas de maior incidência, como já ocorre em praias da Austrália e da África do Sul.
Enquanto isso, a família do menino aguarda a evolução do quadro clínico, que deve ser reavaliado nos próximos dias. O hospital informou que o paciente está estável, mas sob cuidados intensivos devido ao risco de infecção. A comunidade local, por sua vez, organiza vigílias e campanhas de arrecadação de fundos para ajudar nas despesas médicas. O caso também reacendeu o alerta para a necessidade de políticas públicas integradas entre os governos estadual e federal, que possam conciliar a preservação ambiental com a segurança dos banhistas.
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