Uma condição cardíaca rara, mas potencialmente fatal, conhecida como Síndrome do Coração Partido, ou cardiomiopatia de Takotsubo, tem chamado a atenção de especialistas por sua ligação direta com eventos emocionais traumáticos. De acordo com o cardiologista Dr. João Silva, do Hospital das Clínicas de São Paulo, a síndrome pode ser desencadeada por situações de estresse extremo, como a perda de um ente querido, um divórcio ou até mesmo uma notícia impactante, levando a sintomas que imitam um infarto. O nome popular, que remete à expressão ‘morrer de tristeza’, reflete a gravidade do quadro, que, em casos raros, pode resultar em morte súbita.
A Síndrome do Coração Partido foi descrita pela primeira vez no Japão, em 1990, e seu nome técnico, Takotsubo, faz referência a um pote usado para capturar polvos, que tem formato semelhante ao do ventrículo esquerdo do coração durante a crise. Dr. João Silva explica que, durante um episódio, o coração sofre um enfraquecimento temporário, com o ventrículo esquerdo se deformando, o que compromete a capacidade de bombear sangue. ‘O estresse emocional libera uma enxurrada de hormônios, como adrenalina e cortisol, que podem ‘atordoar’ o músculo cardíaco, causando uma disfunção que, em 1% a 2% dos casos, leva à morte’, detalha o especialista.
Sintomas e Diagnóstico
Os sintomas da síndrome incluem dor no peito, falta de ar, sudorese e palpitações, muito semelhantes aos de um ataque cardíaco. No entanto, diferentemente do infarto, não há obstrução das artérias coronárias. O diagnóstico é feito por meio de exames como ecocardiograma, ressonância magnética e cateterismo, que mostram a alteração característica no formato do ventrículo esquerdo. Dr. João Silva ressalta que a condição é mais comum em mulheres na pós-menopausa, entre 50 e 70 anos, possivelmente devido à queda dos níveis de estrogênio, que protege o coração contra os efeitos do estresse.
Tratamento e Recuperação
O tratamento da Síndrome do Coração Partido é focado no suporte cardíaco e no controle do estresse. Medicamentos como betabloqueadores e inibidores da ECA são usados para reduzir a carga sobre o coração, enquanto a terapia psicológica é fundamental para lidar com o trauma emocional. A maioria dos pacientes se recupera completamente em semanas ou meses, mas complicações como insuficiência cardíaca ou arritmias podem ocorrer. Dr. João Silva alerta que, embora rara, a síndrome é um lembrete poderoso de como a saúde mental e física estão interligadas. ‘Cuidar das emoções é tão importante quanto cuidar do coração’, conclui.
Panorama Geral e Impacto
A discussão sobre a Síndrome do Coração Partido ganha relevância em um contexto de aumento dos transtornos de ansiedade e depressão no Brasil, que afetam cerca de 18 milhões de pessoas, segundo a Organização Mundial da Saúde. Eventos como a pandemia de Covid-19 e crises econômicas recentes intensificaram o estresse coletivo, potencializando o risco de condições psicossomáticas. Especialistas defendem a integração de cuidados psicológicos no tratamento de doenças cardíacas, como forma de prevenir episódios graves. A síndrome, embora rara, serve como um alerta para a necessidade de políticas públicas de saúde mental e de suporte emocional em momentos de crise.
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