Os fãs de futebol devem consumir 1 bilhão de copos extras de cerveja durante a Copa do Mundo, em um impulso muito necessário para a indústria cervejeira em dificuldades, que enfrenta inflação de custos, demanda fraca e temores de estar presa em um declínio de longo prazo, conforme levantamento divulgado pela Folha de S.Paulo em 6 de julho de 2026.
O volume adicional de 1 bilhão de copos representa um aumento significativo no consumo global da bebida durante o período do torneio, que ocorre em meio a um cenário econômico adverso para o setor. A indústria cervejeira mundial vem sendo pressionada por custos crescentes de insumos, como cevada, lúpulo e embalagens, além da redução do poder de compra dos consumidores em diversos países, especialmente na Europa e nas Américas.
O impacto positivo esperado para a Copa do Mundo, no entanto, é visto como um alívio temporário. Analistas do mercado apontam que, apesar do pico sazonal, o setor ainda enfrenta desafios estruturais, como a mudança de hábitos de consumo entre as gerações mais jovens, que têm reduzido o consumo de álcool e migrado para bebidas não alcoólicas ou com menor teor alcoólico. A inflação persistente em várias economias também tem afetado a demanda, com consumidores optando por marcas mais baratas ou reduzindo o consumo fora de casa.
Panorama político e econômico do setor
O contexto político e econômico global também influencia o desempenho da indústria cervejeira. Em países como o Brasil, a alta da taxa de juros e a desaceleração da economia têm reduzido o consumo per capita de cerveja, enquanto na Europa a crise energética e a guerra na Ucrânia elevaram os custos de produção. Nos Estados Unidos, a inflação e as incertezas sobre a política comercial têm pressionado as margens das grandes cervejarias.
O evento esportivo, que reúne seleções de todo o mundo, é tradicionalmente um período de pico para o setor, com bares, restaurantes e supermercados registrando aumento nas vendas. A expectativa é que o consumo extra de 1 bilhão de copos ajude a compensar parte das perdas acumuladas nos últimos trimestres, mas não deve reverter a tendência de longo prazo de estagnação ou queda no mercado global de cerveja.
A Folha de S.Paulo destacou que o número foi calculado com base em projeções de consumo histórico em Copas anteriores e no crescimento esperado do mercado em países-sede e principais mercados consumidores. O levantamento considerou ainda o impacto de novas tecnologias de produção e logística, que podem ampliar a oferta durante o torneio.
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