Fim do turismo social: governo Milei privatiza hotéis populares de US$ 10 a diária na costa argentina

Um complexo estatal de hotéis à beira-mar onde trabalhadores argentinos hospedavam-se por cerca de US$ 10 a diária está prestes a ser transferido para o setor privado pelo governo libertário de Javier Milei, sinalizando o fim de uma era de “turismo social” peronista. A medida, anunciada em meio a um pacote de reformas econômicas, impacta diretamente milhares de famílias que utilizavam o serviço como opção de lazer acessível em um dos pontos turísticos mais procurados do país.

Os hotéis, localizados em Mar del Plata, eram administrados pela Secretaria de Turismo da Nação e ofereciam diárias subsidiadas, permitindo que assalariados e aposentados tivessem acesso ao litoral argentino por valores muito abaixo do mercado. A privatização, segundo fontes oficiais, faz parte de um plano mais amplo de redução do Estado e de estímulo à iniciativa privada, defendido por Milei desde sua campanha.

Impacto social e econômico

A decisão do governo argentino ocorre em um contexto de inflação elevada e ajuste fiscal. Dados do Instituto Nacional de Estatística e Censos (INDEC) mostram que a inflação acumulada nos últimos 12 meses supera os 200%, o que torna ainda mais difícil para a classe média baixa arcar com custos de hospedagem no setor privado. A venda dos hotéis populares, portanto, representa um golpe no poder de compra dos trabalhadores que dependiam desses espaços para férias.

Especialistas apontam que a privatização pode gerar receita imediata aos cofres públicos, mas também amplia a desigualdade no acesso ao lazer. “O turismo social era uma política de inclusão que permitia a milhares de argentinos conhecerem seu próprio país. Sua extinção aprofunda a segmentação social”, avalia a economista María Laura García, da Universidade de Buenos Aires.

Panorama político

A medida insere-se no programa de choque liberal promovido por Milei, que já incluiu a desregulamentação de setores inteiros da economia e o corte de subsídios. O presidente argentino enfrenta resistência de sindicatos e movimentos sociais, que organizam protestos contra o que chamam de “desmonte do Estado de bem-estar social”. No Congresso, a oposição peronista tenta reverter a decisão, mas enfrenta dificuldades devido à base governista fortalecida após as últimas eleições.

Enquanto isso, o complexo hoteleiro de Mar del Plata permanece fechado para reformas, aguardando a conclusão do processo de transferência. A expectativa é que os novos proprietários transformem o local em empreendimentos de alto padrão, o que deve elevar significativamente os preços das diárias e excluir definitivamente os trabalhadores de baixa renda do acesso à orla.

Fonte: ver noticia original

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *