O pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), participou do podcast 3 Irmãos na manhã deste sábado (6) e utilizou o espaço para tecer duras críticas às gestões do ex-presidente Jair Bolsonaro e do atual governador paulista, Tarcísio de Freitas. Durante a conversa, o petista afirmou que o país enfrentou uma fuga expressiva de empresas para o Paraguai durante o governo Bolsonaro, apontando para um cenário de desindustrialização e perda de competitividade. A declaração ocorre em meio ao agravamento da crise econômica e ao aumento das tensões políticas entre oposição e governo federal, com reflexos diretos na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes.
Haddad detalhou que a saída de empresas para o Paraguai, especialmente nos setores têxtil e de eletrônicos, foi impulsionada por políticas fiscais e cambiais inadequadas, além da falta de incentivos à produção nacional. Segundo o ex-prefeito de São Paulo, a gestão Bolsonaro priorizou a abertura comercial sem contrapartidas, resultando em perda de empregos e arrecadação. O petista citou dados do Ministério da Economia que indicam um aumento de 40% no número de empresas brasileiras instaladas no Paraguai entre 2019 e 2022, o que representa uma evasão de divisas estimada em R$ 12 bilhões.
Panorama político e econômico
A crítica de Haddad se insere em um contexto mais amplo de disputa eleitoral em São Paulo, onde a oposição tem ampliado a ofensiva contra a privatização da Sabesp, proposta pelo governador Tarcísio de Freitas. O petista classificou a medida como um “desmonte do patrimônio público” e alertou para o risco de aumento das tarifas de água e esgoto, especialmente para a população de baixa renda. A privatização da Sabesp, avaliada em R$ 30 bilhões, é vista como um dos principais cavalos de batalha da gestão Tarcísio, mas enfrenta resistência de movimentos sociais, sindicatos e partidos de oposição.
Além disso, Haddad associou a fuga de empresas ao Paraguai à política econômica de Bolsonaro, que, segundo ele, favoreceu a especulação financeira em detrimento do setor produtivo. O pré-candidato destacou que a taxa de câmbio desvalorizada e a alta carga tributária contribuíram para a perda de competitividade da indústria brasileira, enquanto o Paraguai oferecia incentivos fiscais e mão de obra mais barata. A crítica ecoa as preocupações de setores empresariais e sindicais, que têm pressionado o governo federal por medidas de estímulo à produção nacional.
Em resposta, a assessoria do ex-presidente Jair Bolsonaro afirmou que a fuga de empresas é um fenômeno global e que o governo anterior implementou reformas estruturais, como a reforma trabalhista e a simplificação tributária, para atrair investimentos. Já o governo Tarcísio de Freitas defendeu a privatização da Sabesp como forma de modernizar a gestão e garantir investimentos em saneamento, mas não comentou as críticas de Haddad sobre o êxodo empresarial.
A oposição, por sua vez, promete intensificar a fiscalização e o debate público sobre a privatização da Sabesp, com audiências e mobilizações nas cidades paulistas. O cenário político em São Paulo se polariza cada vez mais, com Haddad e Tarcísio como principais antagonistas na disputa pelo governo estadual, enquanto a crise econômica e a fuga de empresas para o Paraguai se tornam temas centrais na campanha eleitoral.
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