A decisão do ministro Kassio Nunes Marques, presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), de suspender a divulgação da pesquisa do instituto AtlasIntel — questionada pela campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) — gerou divergências entre advogados e especialistas em direito eleitoral consultados pela Folha. O caso expõe tensões no cenário político nacional, onde a disputa eleitoral de 2026 já mobiliza estratégias jurídicas e midiáticas, e levanta questionamentos sobre os limites do poder cautelar da Justiça Eleitoral.
A suspensão foi motivada por uma representação da coligação de Flávio Bolsonaro, que alegou irregularidades metodológicas no levantamento do AtlasIntel. A pesquisa, divulgada em 8 de junho de 2026, apontava o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à frente do senador em um eventual segundo turno, com diferença de 7 pontos percentuais. O instituto defende a lisura de seus dados, enquanto a campanha do PL argumenta que a metodologia viola normas do TSE.
Divergências jurídicas e impacto político
Para parte dos juristas ouvidos, a medida de Kassio Nunes Marques é legal e visa garantir a paridade de armas entre candidatos. “O presidente do TSE tem competência para decidir monocraticamente em casos urgentes, e a suspensão pode ser necessária para evitar danos irreparáveis à imagem de um candidato”, afirmou o advogado eleitoral Carlos Eduardo de Oliveira. Já outros especialistas criticam a decisão, apontando risco de censura prévia. “A suspensão de uma pesquisa sem análise aprofundada do mérito fere o direito à informação e pode ser usada como instrumento de manipulação política”, disse a professora de direito constitucional Marina Silva Santos.
O episódio ocorre em meio a um cenário político polarizado, com pesquisas eleitorais sendo alvo constante de contestações judiciais. Apenas em 2026, o TSE já registrou mais de 50 pedidos de suspensão de levantamentos, número que supera o de eleições anteriores. A decisão de Kassio Nunes Marques também reacende o debate sobre a atuação do Judiciário no processo eleitoral, especialmente em um ano em que a confiança nas urnas e nos institutos de pesquisa é tema central da campanha.
O AtlasIntel informou que recorrerá da decisão, enquanto a campanha de Flávio Bolsonaro comemorou a suspensão como uma vitória contra “pesquisas fraudulentas”. A Folha tentou contato com o gabinete do ministro Kassio Nunes Marques, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. O caso deve ser analisado pelo plenário do TSE nos próximos dias, em uma sessão que promete ser acirrada.
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