O plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) vai analisar, nos próximos dias, a decisão que suspendeu a divulgação de uma pesquisa da AtlasIntel sobre as intenções de voto para o Senado no Rio de Janeiro. O levantamento, que apontava queda nas intenções de voto do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), foi suspenso por decisão liminar da ministra Maria Claudia Bucchianeri, atendendo a pedido da coligação do senador. O caso será levado ao plenário da Corte Eleitoral, que decidirá se mantém ou reverte a suspensão, em um julgamento que pode estabelecer precedentes sobre os limites da liberdade de pesquisa e o impacto de levantamentos na corrida eleitoral.
A pesquisa da AtlasIntel, registrada sob o número RJ-01234/2026, foi realizada entre os dias 15 e 20 de junho de 2026, com 1.500 entrevistados em todo o estado do Rio de Janeiro. O levantamento indicava que Flávio Bolsonaro aparecia com 28% das intenções de voto, contra 35% registrados em pesquisa anterior do mesmo instituto, divulgada em maio. A queda de sete pontos percentuais foi atribuída, segundo analistas, ao desgaste do senador em meio a investigações em andamento no Conselho de Ética do Senado e à repercussão de declarações polêmicas sobre a segurança pública. A coligação do senador, no entanto, argumentou que a pesquisa apresentava “metodologia questionável” e “potencial de desinformação”, pedindo a suspensão imediata.
Decisão liminar e reação dos institutos
A ministra Maria Claudia Bucchianeri acolheu o pedido da coligação de Flávio Bolsonaro em caráter liminar, suspendendo a divulgação dos resultados e determinando a retirada de qualquer menção à pesquisa de sites e redes sociais. Na decisão, a ministra destacou que “a pesquisa, embora registrada, apresenta indícios de irregularidades na amostragem e na ponderação dos dados, o que pode comprometer a lisura do processo eleitoral”. A AtlasIntel, por sua vez, classificou a decisão como “censura prévia” e anunciou que recorrerá ao plenário do TSE. O instituto afirmou que a pesquisa seguiu todos os critérios técnicos exigidos pela legislação eleitoral e que a suspensão “fere o direito à informação e o debate público”.
O caso ganhou contornos políticos e jurídicos, com especialistas em direito eleitoral apontando que a decisão do plenário do TSE pode definir novos parâmetros para a atuação dos institutos de pesquisa. “O TSE precisa equilibrar a proteção contra pesquisas fraudulentas com a liberdade de imprensa e de opinião. Uma decisão muito restritiva pode inibir levantamentos legítimos e prejudicar o eleitor”, afirmou o advogado eleitoral Carlos Eduardo de Oliveira, em entrevista ao portal Republica do Povo. A Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP) também se manifestou, pedindo “transparência e celeridade” no julgamento.
Panorama político e impacto no cenário nacional
A suspensão da pesquisa ocorre em um momento de intensa movimentação política no Rio de Janeiro, onde a disputa pelo Senado é uma das mais acirradas do país. Além de Flávio Bolsonaro, outros nomes como o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) e a deputada federal Benedita da Silva (PT) também aparecem como potenciais candidatos, segundo fontes partidárias. A pesquisa suspensa indicava que Paes liderava as intenções de voto com 32%, seguido por Flávio Bolsonaro (28%) e Benedita da Silva (18%). A queda do senador, segundo analistas, pode estar relacionada ao desgaste do governo federal e à polarização política que marca o cenário nacional.
O julgamento no TSE também ocorre em meio a debates sobre a regulação das pesquisas eleitorais. Nos últimos meses, o Congresso Nacional tem discutido projetos de lei que propõem maior rigor na fiscalização dos levantamentos, incluindo a obrigatoriedade de divulgação dos dados brutos e a criação de um cadastro nacional de pesquisadores. A decisão do plenário do TSE, portanto, pode influenciar diretamente essas discussões, estabelecendo parâmetros que poderão ser adotados como referência para futuras legislações.
O relator do caso no plenário do TSE será o ministro Alexandre de Moraes, que já sinalizou, em decisões anteriores, a importância de garantir a transparência e a confiabilidade das pesquisas eleitorais. A expectativa é de que o julgamento ocorra até o final da semana, com possibilidade de recursos ao Supremo Tribunal Federal (STF) dependendo do resultado. Enquanto isso, a AtlasIntel mantém a pesquisa disponível em seu site, mas com a ressalva de que está “suspensa por decisão judicial”, aguardando a manifestação final da Corte Eleitoral.
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