Reforma tributária avança, mas varejo de moda alerta para riscos de desequilíbrio sem previsibilidade

A regulamentação da reforma tributária avança no Brasil com o objetivo legítimo de simplificar regras, reduzir distorções e modernizar o sistema de arrecadação. No entanto, à medida que novas leis complementares entram em vigor, cresce também a necessidade de atenção aos impactos práticos sobre setores altamente sensíveis a custos e margens, como é o caso da cadeia da moda. A análise, publicada no blog Que Imposto é Esse?, da Folha de S.Paulo, em 9 de junho de 2026, destaca que a falta de previsibilidade pode comprometer a competitividade do varejo de moda e gerar novos desequilíbrios econômicos.

O texto original, assinado por especialistas, ressalta que a simplificação tributária, embora desejável, não pode ignorar as particularidades de setores como o de vestuário, que opera com margens reduzidas e alta sensibilidade a variações de custo. A cadeia da moda envolve desde a produção de tecidos até o varejo, passando por importação, logística e sazonalidade, o que torna a aplicação de regras uniformes um desafio. Sem um planejamento cuidadoso, a reforma pode, paradoxalmente, aumentar a carga tributária efetiva para pequenos e médios lojistas, que já enfrentam concorrência de grandes redes e do comércio eletrônico.

O panorama político geral indica que a reforma tributária é uma das pautas centrais do governo federal e do Congresso Nacional, com amplo apoio de partidos como PT, PSDB e MDB, mas também com críticas de setores produtivos que temem perda de competitividade internacional. Enquanto o Ministério da Fazenda defende a modernização do sistema, entidades como a Associação Brasileira do Varejo Têxtil (ABVT) e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) têm alertado para a necessidade de transição gradual e de mecanismos de compensação para evitar que a reforma onere ainda mais o consumo popular. O debate se intensifica com a proximidade das eleições de 2026, onde a reforma tributária pode se tornar um tema central nas campanhas.

O artigo original enfatiza que a previsibilidade é essencial para que o setor de moda possa se adaptar às novas regras sem comprometer empregos e investimentos. A ausência de clareza sobre alíquotas, prazos e regimes especiais pode levar a um aumento de preços para o consumidor final, em um momento em que a inflação já pressiona o orçamento das famílias. Além disso, a reforma precisa considerar a informalidade no setor, que responde por parcela significativa do mercado de moda no Brasil.

Em conclusão, a reforma tributária, embora necessária, exige um debate aprofundado e a participação de todos os elos da cadeia produtiva para evitar que a busca por simplificação gere novos desequilíbrios. O varejo de moda, que emprega milhões de brasileiros e movimenta bilhões de reais anualmente, precisa de regras claras e estáveis para manter sua competitividade e continuar gerando riqueza e empregos no país.

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