Morte de criança de 2 anos em Dois Riachos (AL) é investigada pela Polícia Civil após denúncias de violência doméstica

A Polícia Civil de Alagoas instaurou inquérito para investigar a morte de uma criança de 2 anos no município de Dois Riachos, interior do estado, após denúncias de violência doméstica que teriam ocorrido nos dias anteriores ao óbito. O caso, que ganhou repercussão na imprensa local, expõe mais uma vez as fragilidades do sistema de proteção à infância e acende um alerta sobre a subnotificação de agressões contra crianças em regiões de baixa densidade populacional e recursos limitados.

De acordo com informações divulgadas pelo portal Francês News, a criança deu entrada em uma unidade de saúde local com sinais de violência, mas não resistiu. A Polícia Civil não confirmou oficialmente a causa da morte, mas as denúncias de agressões prévias levaram os agentes a abrir a investigação. O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) de Arapiraca para exames de necropsia, que devem esclarecer a dinâmica do ocorrido e apontar responsabilidades.

Panorama da violência infantil em Alagoas

O caso de Dois Riachos não é isolado. Dados do Disque 100, canal do governo federal para denúncias de violações de direitos humanos, indicam que Alagoas registrou, em 2024, mais de 1.200 denúncias de violência contra crianças e adolescentes, sendo a violência física e a negligência as principais queixas. A interiorização desses casos, em cidades como Dois Riachos (com cerca de 10 mil habitantes), revela a dificuldade de acesso a serviços de proteção e a necessidade de fortalecimento das redes locais de apoio, como conselhos tutelares e centros de referência em assistência social.

Especialistas ouvidos pela reportagem apontam que a subnotificação é um problema grave, especialmente em áreas rurais, onde o medo de represálias e a dependência econômica de agressores inibem denúncias. A morte da criança de 2 anos, portanto, pode representar apenas a ponta de um iceberg de violência doméstica que permanece invisível aos olhos do poder público.

Investigação em andamento e medidas de proteção

A Polícia Civil informou que já ouviu testemunhas e familiares, mas não detalhou se há suspeitos ou se a criança vivia sob medida protetiva. O Conselho Tutelar de Dois Riachos também foi acionado para prestar esclarecimentos sobre eventuais denúncias anteriores. A Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) e a Secretaria de Estado da Assistência e Desenvolvimento Social (Seades) ainda não se pronunciaram oficialmente sobre o caso.

A tragédia reacende o debate sobre a eficácia das políticas públicas de proteção à infância em Alagoas, especialmente após a Operação Infiltrados do MP-SP expor esquemas de corrupção e conivência em órgãos de segurança e justiça, e a recente prisão de um policial militar da reserva em São Paulo por homicídio em supermercado de Maceió, que evidenciam a complexidade da violência no estado. Enquanto isso, a Polícia Civil de Alagoas também deflagrou operação contra esquema de golpe do cadastro habitacional, mostrando que a atuação policial precisa ser ampla e integrada para combater diferentes formas de criminalidade.

A população de Dois Riachos aguarda os resultados da perícia e das investigações, enquanto organizações de direitos humanos cobram respostas rápidas e a implementação de medidas que evitem novas mortes. O caso deve ser acompanhado de perto pelo Ministério Público Estadual (MP-AL), que pode abrir procedimento próprio para apurar a atuação dos órgãos de proteção à criança.

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