O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou o general Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa e condenado a 19 anos de prisão por integrar o núcleo crucial de uma trama golpista para manter Jair Bolsonaro no poder, a se inscrever e realizar as provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em 2026. A decisão, divulgada nesta segunda-feira (9), atende a um pedido da defesa do militar, que está preso no Comando Militar do Planalto, em Brasília, desde novembro do ano passado. As inscrições para o Enem foram prorrogadas até a próxima sexta-feira (12) e devem ser feitas pela Página do Participante.
A autorização de Moraes baseia-se no argumento de que a legislação de regência tem por objetivo estimular o preso ao estudo, conforme consta no documento: “AUTORIZO que o sentenciado Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira possa realizar a inscrição no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM 2026)”. O general, de 67 anos, foi condenado pelo STF por integrar o que a corte classificou como “núcleo crucial” de uma trama golpista para manter Bolsonaro no poder, apesar da derrota nas urnas em 2022. A defesa do ex-ministro argumentou que a participação no exame é um direito previsto em lei e uma oportunidade de ressocialização.
O Enem como ferramenta de ressocialização e avaliação
O Enem é uma das principais portas de entrada para a educação superior no Brasil, utilizado por instituições públicas e privadas como critério de seleção. As notas do exame podem ser usadas em programas do governo federal como Sisu, Prouni e Fies, além de garantir descontos em mensalidades de instituições privadas. A partir deste ano, o exame também assume uma nova função primordial para o governo: avaliar a qualidade do ensino médio, nos moldes do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). Além disso, o Enem pode certificar a conclusão do ensino médio para declarar a proficiência parcial de participantes maiores de 18 anos que não tenham concluído a etapa, e permitirá a produção de indicadores educacionais relacionados ao monitoramento das metas do Plano Nacional de Educação (PNE).
A decisão de Moraes ocorre em um contexto de intensos debates sobre os limites dos direitos de presos condenados por crimes contra o Estado Democrático de Direito. Enquanto defensores dos direitos humanos veem a medida como um passo positivo para a ressocialização, críticos apontam que a concessão de benefícios educacionais a figuras envolvidas em tentativas de subverter a ordem democrática pode ser vista como um privilégio incompatível com a gravidade dos crimes cometidos. O caso também levanta questões sobre a seletividade do sistema prisional brasileiro, onde o acesso à educação ainda é restrito para a maioria da população carcerária, que enfrenta condições precárias e falta de políticas públicas efetivas.
O panorama político mais amplo inclui outras decisões recentes do STF que têm gerado controvérsia, como a manutenção da multa de R$ 452 mil a Roberto Jefferson, com Moraes e Flávio Dino rejeitando recurso, e a autorização do ministro Edson Fachin para que a Advocacia-Geral da União (AGU) defenda o Brasil e o Judiciário em ações nos Estados Unidos contra Moraes, colocando a soberania nacional em xeque. Essas decisões refletem a atuação do STF em temas sensíveis à democracia e à segurança jurídica, enquanto o país se prepara para as eleições de 2026, com o ex-presidente Bolsonaro inelegível e seus aliados ainda sob investigação.
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