Cobrança por devolução de recursos do IPREV de Maceió mobiliza Senado e expõe disputa política

O senador Renan Calheiros (MDB-AL) intensificou a pressão por responsabilização e devolução dos recursos desviados do Instituto de Previdência de Maceió (IPREV), em meio a um embate político que envolve a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e expõe fragilidades na gestão de fundos previdenciários municipais. A cobrança ocorre após revelações de que valores milionários teriam sido retirados irregularmente do fundo, comprometendo a aposentadoria de servidores públicos da capital alagoana.

Em pronunciamento no plenário do Senado, Calheiros afirmou que “quem roubou vai ter que devolver” e criticou tentativas de desviar o foco das investigações. O senador rebateu declarações de Damares Alves, que questionou a atuação da Polícia Federal e do Ministério Público no caso, classificando-as como “politização da investigação”. Para Calheiros, a postura da colega busca proteger envolvidos e enfraquecer o combate à corrupção.

Panorama político e institucional

O caso do IPREV de Maceió ganhou repercussão nacional após auditoria interna apontar rombo de mais de R$ 200 milhões nos cofres do instituto, com suspeitas de desvios por meio de contratos fraudulentos e operações imobiliárias irregulares. A denúncia levou à abertura de inquérito pela Polícia Federal e a pedidos de quebra de sigilo bancário e fiscal de ex-gestores e empresários ligados ao esquema.

O embate entre Calheiros e Damares Alves reflete a polarização que marca o debate sobre transparência e controle de recursos públicos no Brasil. Enquanto o senador defende a atuação firme dos órgãos de fiscalização, a senadora alega que há “exageros” e “perseguição política” contra aliados. A divergência expõe a dificuldade de se construir consenso em torno de medidas que garantam a devolução dos valores e a punição dos responsáveis.

Impactos e desdobramentos

A crise no IPREV afeta diretamente cerca de 12 mil servidores ativos e aposentados da prefeitura de Maceió, que temem atrasos no pagamento de benefícios e redução de valores. O prefeito João Henrique Caldas (PL), o JHC, anunciou a criação de uma comissão especial para acompanhar as investigações e prometeu aporte financeiro emergencial para garantir o fluxo de pagamentos, mas a medida é vista como paliativa por especialistas em previdência.

Paralelamente, o Ministério Público Federal (MPF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) abriram procedimentos para apurar possível omissão de órgãos reguladores e sugerir mudanças na legislação que rege os fundos previdenciários municipais. A expectativa é que o caso sirva de alerta para outras cidades brasileiras que enfrentam problemas semelhantes de gestão e fiscalização.

O senador Renan Calheiros prometeu apresentar requerimentos de convocação de ex-gestores do IPREV e de representantes da prefeitura para prestar esclarecimentos no Congresso. “Não vamos descansar enquanto cada centavo não for devolvido aos cofres públicos e enquanto os culpados não forem punidos”, afirmou. A declaração ecoa entre servidores e entidades de classe, que cobram agilidade nas investigações e transparência nos atos administrativos.

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