Pesquisas eleitorais: método científico e amostragem revelam intenção de voto em meio a polêmicas sobre divulgação

Nova pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (10) mostra o presidente Lula (PT) liderando em um eventual 2º turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), com 44% das intenções de voto contra 38% do adversário. O levantamento, encomendado pela Genial Investimentos, ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 5 e 8 de junho, e é o primeiro após a divulgação dos áudios do senador para o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A pesquisa registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-07661/2026 reacendeu o debate sobre como os institutos chegam aos resultados, especialmente após a suspensão de outro levantamento na última segunda-feira (8) por decisão da Justiça Eleitoral.

O diretor da Quaest, Felipe Nunes, explicou em entrevista ao Jornal Nacional que as pesquisas tentam identificar padrões para antecipar movimentos na opinião pública. Para isso, é utilizado método científico, começando pela definição de quem serão os entrevistados — um grupo que representa o universo dos eleitores. Como é impossível entrevistar todos os eleitores do país, os institutos estabelecem critérios para selecionar uma amostra que reproduza as características da população em relação a sexo, idade, escolaridade e renda, com base em dados do IBGE e do TSE.

Os cálculos estatísticos ajudam a explicar por que a maioria das pessoas nunca foi entrevistada em uma pesquisa eleitoral. A chance de um eleitor ser selecionado para participar de um levantamento com 1,2 mil entrevistas na cidade de São Paulo, por exemplo, onde há mais de 9 milhões de eleitores, é de uma em 7.768 — uma probabilidade de apenas 0,013%. Ainda assim, a amostragem permite que um grupo de cerca de mil pessoas expresse a intenção de voto de uma cidade inteira, desde que os critérios de representatividade sejam rigorosamente seguidos.

A metodologia varia conforme o instituto. No caso da Quaest, os pesquisadores vão até a casa do eleitor para realizar as entrevistas presenciais. Já o Datafolha e o Ipec utilizam abordagens semelhantes, com coleta domiciliar e controle de cotas. A pesquisa tem a função de captar o clima da corrida eleitoral registrando a temperatura da disputa naquele determinado momento, ouvindo o eleitor de forma direta e sistemática.

O debate sobre a confiabilidade dos levantamentos ganhou força após a suspensão de uma pesquisa eleitoral na última segunda-feira (8) por decisão do TSE. A medida reacendeu questionamentos sobre a transparência dos métodos e a influência de fatores externos, como a divulgação de áudios e a cobertura midiática, nos resultados. Especialistas apontam que a polêmica reforça a necessidade de esclarecer à população como os institutos trabalham, desde a definição da amostra até a aplicação das margens de erro, que geralmente ficam em torno de 2 a 3 pontos percentuais para pesquisas nacionais.

No panorama político geral, a Quaest também revelou que Lula lidera no 1º turno com 39%, contra 29% de Flávio Bolsonaro. Entre eleitores independentes, o presidente abre 13 pontos de vantagem no 2º turno. A pesquisa ainda mostrou que 46% dos entrevistados concordam com Lula e dizem que as tarifas de Trump são retaliação ao PIX. Os dados indicam um cenário de polarização, mas com vantagem consolidada para o petista, enquanto o senador busca reverter a imagem após os áudios divulgados.

Fonte: ver noticia original

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *