Área técnica do MME alerta conselho sobre riscos de elevar mistura de biodiesel para 16%

A área técnica do Ministério de Minas e Energia (MME) emitiu um alerta ao conselho deliberativo do órgão sobre os potenciais riscos de elevar a mistura obrigatória de biodiesel no diesel fóssil dos atuais 15% (B15) para 16% (B16). O aumento, anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no dia 30 de abril, é aguardado desde março pelo setor de biocombustíveis, mas agora enfrenta questionamentos técnicos que podem impactar a implementação da medida.

De acordo com fontes do MME, o alerta técnico aponta para possíveis problemas relacionados à qualidade do combustível, à logística de distribuição e ao impacto nos motores de veículos mais antigos. A elevação para B16, embora defendida por produtores de biodiesel como forma de ampliar o mercado e reduzir emissões, pode gerar custos adicionais para a cadeia de suprimentos e exigir adaptações em refinarias e postos de combustíveis.

O anúncio de Lula em abril foi visto como um avanço para o setor de biocombustíveis, que vinha pressionando por um cronograma de aumento gradual da mistura. No entanto, o alerta da área técnica do MME coloca em xeque a viabilidade imediata da medida, especialmente em um cenário de instabilidade nos preços do diesel e de desafios logísticos no país.

O conselho do MME deve avaliar os riscos apontados e decidir se mantém o cronograma de aumento para 16% ou se adota uma postura mais cautelosa, possivelmente adiando a implementação ou estabelecendo condições técnicas prévias. A decisão terá impacto direto sobre produtores de biodiesel, distribuidores de combustíveis e consumidores finais, que podem enfrentar variações nos preços e na disponibilidade do produto.

O debate sobre a mistura de biodiesel ocorre em meio a um contexto mais amplo de transição energética e de busca por fontes renováveis. O governo federal tem incentivado o uso de biocombustíveis como parte de sua política de descarbonização, mas enfrenta pressões de setores que alertam para os custos e os desafios técnicos da medida. A decisão final do conselho do MME será acompanhada de perto por parlamentares, entidades do setor e especialistas em energia.

Fonte: ver noticia original

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *