O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta quarta-feira (10) que a aprovação de gastos pelo Congresso Nacional sem a devida previsão orçamentária pode ser considerada inconstitucional pela Corte. Em postagem nas redes sociais, o decano do STF defendeu a responsabilidade fiscal e destacou que a jurisprudência do tribunal exige que despesas ou renúncias de receitas tenham lastro fiscal, sob pena de violação aos princípios constitucionais da ordem econômica e financeira.
A declaração de Gilmar Mendes ocorre em meio a um cenário de tensão entre os Poderes, com o Congresso Nacional avançando em pautas que ampliam gastos públicos, como projetos de aumento de salários e benefícios sociais, sem a indicação de fontes de receita ou cortes compensatórios. O ministro citou precedentes do STF que consolidam o entendimento de que a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e a Constituição Federal vedam a criação de despesas sem a correspondente estimativa de impacto orçamentário-financeiro.
Impacto no equilíbrio fiscal
A possível barreira judicial imposta pelo STF representa um alerta direto ao Legislativo, que tem buscado ampliar o controle sobre o Orçamento da União. Nos últimos meses, parlamentares apresentaram propostas que elevam gastos obrigatórios, como a recomposição de salários de servidores e a ampliação de programas sociais, sem a contrapartida de cortes em outras áreas. Especialistas em contas públicas apontam que, se mantidas, essas medidas podem comprometer o cumprimento da meta fiscal de 2026 e elevar a dívida pública.
A postura do STF, ao sinalizar a possibilidade de barrar tais iniciativas, reforça o papel da Corte como guardiã da Constituição e da estabilidade econômica. A decisão de Gilmar Mendes ecoa o posicionamento de outros ministros, como Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes, que já manifestaram preocupação com a falta de lastro fiscal em projetos de lei. O debate ganha relevância em um ano eleitoral, quando pressões políticas por gastos tendem a se intensificar.
O cenário político geral reflete uma disputa entre o Executivo, que busca conter despesas para cumprir o arcabouço fiscal, e o Legislativo, que tenta atender a demandas setoriais e de suas bases eleitorais. A intervenção do STF, nesse contexto, pode redefinir o equilíbrio de forças entre os Poderes, com implicações diretas para a condução da política econômica e para a credibilidade do país junto a investidores.
A declaração de Gilmar Mendes foi feita em sua conta oficial no X (antigo Twitter), onde ele escreveu: “A jurisprudência do STF é clara: despesas ou renúncias de receitas sem lastro fiscal são inconstitucionais. O Congresso precisa respeitar a Lei de Responsabilidade Fiscal e a Constituição.” A postagem gerou reações imediatas de parlamentares, com alguns defendendo a autonomia do Legislativo e outros reconhecendo a necessidade de responsabilidade fiscal.
Para analistas políticos, a sinalização do STF pode ter efeitos práticos imediatos, como a paralisação de votações de projetos que envolvam aumento de gastos sem compensação. A Corte já demonstrou, em decisões anteriores, que não hesita em declarar a inconstitucionalidade de leis que violem o equilíbrio fiscal, como no caso da revisão do pacto federativo e das regras do teto de gastos.
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