O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) visitou nesta quinta-feira (11) um observatório de monitoramento da Amazônia e divulgou, ao lado da equipe do Ministério do Meio Ambiente e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), dados que apontam uma redução significativa do desmatamento no Brasil – especialmente nos biomas Amazônia e Cerrado. A divulgação ocorre em meio a questionamentos dos Estados Unidos sobre o enfrentamento, pelo Brasil, do desmatamento ilegal em seu território, que serviram de justificativa para a proposta de novas tarifas comerciais contra produtos brasileiros.
Em um documento no qual propôs a aplicação de tarifas, o Escritório de Comércio dos EUA afirma que o Brasil, embora tenha um marco legal para combater o desmatamento ilegal, falhou historicamente em aplicá-lo de forma eficaz. O relatório, que cita o avanço da soja e recordes de desmatamento como justificativas, gerou reação do governo brasileiro, que busca contrapor os argumentos com dados oficiais de monitoramento.
Dados apontam queda recorde na Amazônia e recuo no Cerrado
Durante o evento, o ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, apresentou dados coletados pelo sistema Deter, que emite alertas diários de desmatamento e dá suporte à fiscalização. Na Amazônia, a área sob alerta em maio registrou queda de 61,4% em relação ao mesmo mês do ano passado – a maior redução da série histórica para o período. No acumulado entre agosto de 2025 e maio de 2026, o bioma apresentou recuo de 37,5% na comparação com o mesmo intervalo entre 2024 e 2025.
No Cerrado, também houve redução: no acumulado de agosto de 2025 a maio de 2026, a queda foi de 25,3% em relação ao mesmo período anterior. Os dados consolidados anuais, produzidos pelo sistema Prodes, ainda não foram fechados. O sistema Deter, que monitora e emite alertas diários, é complementar ao Prodes, que fornece medições mais precisas anualmente.
Após a divulgação, o ministro João Paulo Capobianco afirmou a jornalistas que as informações, produzidas pelo Inpe, já são públicas e serão divulgadas de modo global. Segundo ele, embora a apresentação dos números seja uma prática tradicional do governo brasileiro, os dados também serão compartilhados com o governo dos Estados Unidos, assim como com outros países e organismos internacionais interessados no monitoramento.
Panorama político: tensão comercial e defesa da política ambiental
A divulgação dos números ocorre em um contexto de crescente tensão comercial entre Brasil e Estados Unidos. O relatório do Escritório de Comércio dos EUA, que aponta o avanço da soja e recordes de desmatamento como justificativas para novas tarifas, foi visto pelo governo brasileiro como uma tentativa de desqualificar os esforços ambientais do país. Em resposta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que quer provar, nas negociações com os Estados Unidos, que o Brasil está certo quando o assunto são dados ambientais.
“Quando a gente está negociando com alguém que não tem parâmetro para negociar, não se comporta de forma civilizada, a gente vai ter que fazer comparação”, afirmou Lula. “Não adianta [Donald Trump] falar que tem aviões, eu não quero guerra. A minha guerra é provar que nós estamos certos e vocês estão errados. É provar que você não foi eleito para ser imperador do mundo, que você pode dizer tudo que você quer e as pessoas ficarem quietas”, completou o presidente.
O governo brasileiro busca, com os dados do Inpe, reforçar sua posição em negociações internacionais e contrapor as críticas dos EUA. A redução do desmatamento, especialmente na Amazônia, é vista como um trunfo para demonstrar eficácia na aplicação da legislação ambiental, embora o relatório norte-americano aponte falhas históricas. A situação reflete um embate mais amplo sobre comércio e sustentabilidade, que pode impactar as relações bilaterais e o mercado de commodities agrícolas.
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