Crise no Senado: aprovação de pautas-bomba expõe racha entre Lula e Alcolumbre e ameaça contas públicas

O governo do presidente Lula sofreu, nesta quarta-feira (10), uma série de derrotas no Senado Federal com a aprovação de projetos considerados ‘pautas-bomba’, que podem gerar um impacto fiscal superior a R$ 200 bilhões. A equipe presidencial aponta três fatores principais para o revés: a necessidade de senadores fazerem acenos às suas bases eleitorais, a campanha do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), pela reeleição ao comando da Casa, e o péssimo momento na relação entre Lula e Alcolumbre. O cenário acendeu alertas no Palácio do Planalto e reacendeu o debate sobre a governabilidade no Congresso Nacional.

O principal termômetro da crise foi a aprovação do projeto de renegociação das dívidas de produtores rurais, relatado pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL). O texto, colocado em votação por Alcolumbre mesmo sem acordo com o governo, cria o risco de um impacto fiscal de R$ 140 bilhões nos próximos dez anos. A decisão contrariou o compromisso assumido pelo próprio presidente do Senado em reunião com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, quando afirmou que não pautaria as matérias a pedido do Executivo. A mudança de postura foi interpretada por líderes governistas como um movimento calculado: Alcolumbre busca conquistar o apoio de senadores para sua candidatura à reeleição e, ao mesmo tempo, enviar sinais a Lula de que é necessário um encontro para aparar arestas.

Relação estremecida e falta de diálogo

A tensão entre Lula e Alcolumbre não é recente. O rompimento se aprofundou desde que o Senado, sob condução de Alcolumbre, rejeitou o nome de Jorge Messias para ocupar a vaga de Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal (STF). Desde então, os dois líderes evitaram trocar olhares em eventos oficiais, como na posse de Nunes Marques como presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), onde sentaram lado a lado. Lula, até o momento, não deu sinal verde a seus líderes para que o encontro seja realizado, o que mantém o impasse e fragiliza a articulação política do governo no Senado.

Diante do cenário adverso, o governo agora deposita suas fichas na Câmara dos Deputados, especialmente no presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB). Diferentemente de Alcolumbre, Motta vive um momento de excelente relacionamento com Lula, o que pode ser crucial para barrar a tramitação das pautas-bomba no segundo semestre. A expectativa é que a Câmara atue como um contrapeso, evitando que os projetos avancem e agravem ainda mais a situação fiscal do país. Enquanto isso, a equipe econômica monitora de perto os desdobramentos, ciente de que o rombo potencial já ultrapassa a casa dos R$ 200 bilhões, ameaçando o arcabouço fiscal e a credibilidade do governo junto ao mercado.

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