ONS anuncia esquema especial de energia para jogos do Brasil na Copa do Mundo

O ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) anunciou nesta quinta-feira (11) um esquema especial para garantir o suprimento de eletricidade durante os jogos do Brasil na Copa do Mundo, conforme informou a Folha de S.Paulo em reportagem publicada em 11 de junho de 2026. A medida, que entra em vigor a partir da primeira partida da seleção brasileira, visa assegurar a estabilidade do sistema elétrico nacional em momentos de pico de consumo, quando milhões de torcedores ligam televisores, aparelhos de ar-condicionado e outros equipamentos simultaneamente.

De acordo com o ONS, o plano operacional inclui o acionamento de usinas termelétricas e hidrelétricas estratégicas, além de ajustes na transmissão de energia entre regiões, para evitar sobrecargas e apagões. A decisão ocorre em um contexto de crescente demanda por eletricidade no país, impulsionada pela retomada econômica e por ondas de calor que têm elevado o consumo residencial e comercial. A Copa do Mundo, que ocorre em junho e julho de 2026, coincide com o período de inverno no hemisfério sul, mas as temperaturas elevadas em várias regiões do Brasil têm pressionado o sistema elétrico, especialmente durante os horários de pico, entre 18h e 21h, quando ocorrem a maioria dos jogos da seleção.

Impactos na rede elétrica e na economia

A medida do ONS reflete a preocupação com a segurança energética em um evento de grande audiência, que pode gerar picos de consumo de até 10% acima da média, segundo estimativas de especialistas. Durante a Copa do Mundo de 2022, o Brasil registrou aumentos de demanda de até 8% em jogos da seleção, o que levou a operações especiais semelhantes. Desta vez, o ONS prevê que o esquema especial envolva a ativação de usinas termelétricas a gás natural e a diesel, que têm maior flexibilidade para responder a variações rápidas de carga, além de reforços na transmissão de energia do Sistema Interligado Nacional (SIN).

O anúncio ocorre em meio a um debate político sobre a matriz energética brasileira e a dependência de fontes fósseis. Enquanto o governo federal defende a expansão de energias renováveis, como solar e eólica, a necessidade de garantir o suprimento durante eventos críticos expõe a fragilidade do sistema em momentos de alta demanda. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e o Ministério de Minas e Energia acompanham a operação, que também inclui campanhas de conscientização para que consumidores evitem o uso de equipamentos de alto consumo durante os jogos, como ferros elétricos e máquinas de lavar.

Panorama político e energético

A decisão do ONS insere-se em um cenário mais amplo de desafios para o setor elétrico brasileiro, que enfrenta pressões de diferentes frentes. Nos últimos meses, o país registrou recordes de consumo devido a ondas de calor, e a Copa do Mundo adiciona mais um fator de estresse ao sistema. Parlamentares da oposição têm criticado a falta de investimentos em infraestrutura de transmissão e armazenamento de energia, enquanto o governo destaca os avanços em fontes limpas. A Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) alertou que, sem medidas preventivas, o risco de apagões localizados é real, especialmente em regiões metropolitanas com alta densidade populacional.

O esquema especial do ONS também levanta questões sobre os custos adicionais para os consumidores, já que a ativação de termelétricas tende a elevar o preço da energia no mercado de curto prazo. A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) estima que o impacto pode ser repassado às tarifas nos próximos meses, dependendo da duração e da intensidade das medidas. Enquanto isso, a torcida brasileira se prepara para acompanhar os jogos, com a expectativa de que a energia não falte em casa, nos bares e nos pontos de exibição públicos.

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