A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (26) a Operação Âmbitus, que cumpre mandados de busca e apreensão em três estados, incluindo Alagoas, contra um esquema criminoso que vazava informações sigilosas para proteger atividades de garimpo ilegal na Amazônia. A investigação apura a participação de um policial federal e a movimentação de R$ 22 milhões.
As ações ocorrem simultaneamente em Alagoas, Pará e Amazonas, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa que atuava no vazamento de dados de órgãos públicos para alertar garimpeiros ilegais sobre operações de fiscalização e repressão. A PF estima que o grupo tenha movimentado R$ 22 milhões nos últimos anos, provenientes da exploração ilegal de ouro e outros minerais na região amazônica.
Esquema de vazamento e proteção ao garimpo ilegal
Segundo as investigações, o esquema envolvia a corrupção de agentes públicos, incluindo um policial federal, que forneciam informações privilegiadas sobre operações de combate ao garimpo ilegal. Em troca, os criminosos pagavam propinas e compartilhavam parte dos lucros obtidos com a extração ilegal de minérios. O vazamento de dados permitia que os garimpeiros se antecipassem às ações de fiscalização, desviando equipamentos e ocultando provas.
A PF identificou que o grupo atuava principalmente em áreas de preservação ambiental na Amazônia, onde o garimpo ilegal causa danos irreversíveis ao ecossistema, como desmatamento, contaminação de rios por mercúrio e destruição da biodiversidade. A operação também mira a lavagem de dinheiro proveniente da atividade criminosa, com indícios de que os valores eram investidos em imóveis, veículos de luxo e empresas de fachada.
Panorama político e impacto da operação
A Operação Âmbitus ocorre em um contexto de crescente pressão sobre o governo federal para intensificar o combate ao garimpo ilegal na Amazônia, que nos últimos anos registrou recordes de invasões em terras indígenas e unidades de conservação. A participação de um policial federal no esquema levanta questionamentos sobre a infiltração do crime organizado em instituições de segurança pública e a necessidade de fortalecer mecanismos de controle interno.
Em Alagoas, os mandados foram cumpridos em endereços ligados a suspeitos de integrar a organização criminosa, incluindo residências e empresas. A PF não descarta novas fases da operação, que já resultou na apreensão de documentos, computadores, celulares e veículos. Os investigados poderão responder pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, vazamento de informação sigilosa, lavagem de dinheiro e crimes ambientais, com penas que podem ultrapassar 30 anos de reclusão.
A operação reforça a atuação da PF no combate a crimes ambientais e à corrupção, em um momento em que o governo federal anuncia medidas para ampliar a fiscalização na Amazônia e punir envolvidos em atividades ilegais. A sociedade civil e organizações ambientais acompanham de perto o desdobramento das investigações, que podem revelar novas conexões entre garimpo ilegal, vazamento de dados e corrupção institucional.
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